Parceria vai melhorar o diagnóstico do mormo em cavalos
Doença infecciosa que atinge principalmente os equídeos, o mormo pode causar grandes prejuízos para os criadores de cavalos, pois o sacrifício dos animais infectados é obrigatório. O Brasil possui o terceiro maior rebanho de equinos no mundo e o maior da América Latina. Por isso um diagnóstico preciso por meio de exames de sangue é fundamental para se fazer estudos epidemiológicos e estabelecer políticas públicas que promovam o estabelecimento de regiões livres da doença, considerada uma zoonose, por também atingir seres humanos. Por esta razão a Embrapa e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) se reuniram para estabelecer acordo de parceria para validação de tecnologias para a diagnose da doença do mormo.
Os pesquisadores da Embrapa já apresentaram a técnicos e dirigentes do Mapa e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) o projeto de pesquisa da Embrapa “Avanços no Diagnóstico do Mormo Equino no Brasil”, aprovado em 2018 na carteira de projetos, no âmbito do Portfólio Sanidade Animal. O encontro foi coordenado pelo diretor do Departamento de Defesa Agropecuária da Secretaria de Saúde Animal, Geraldo Marcos de Moraes. Reuniu técnicos do Mapa, bem como os pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, Emanuelle Gaspar (líder do projeto) e da Embrapa Gado de Corte, Flábio Araújo, responsáveis pela apresentação do trabalho desenvolvido pela Empresa.
A pesquisadora Emanuelle Gaspar apresentou os resultados da pesquisa do projeto que a Embrapa vem desenvolvendo em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) para realizar os testes de diagnóstico da doença. A especialista ressaltou que os testes com maior confiabilidade podem evitar a disseminação do mormo, bem como as contestações judiciais de diagnósticos, o que tem se tornado bastante frequentes, pela baixa confiabilidade que a população tem na prova de FC (Fixação de Complemento, teste antigo utilizado para se chegar ao diagnóstico). Animais diagnosticados com mormo são obrigatoriamente sacrificados, pois se trata de uma doença altamente contagiosa.
Segundo ela, o professor universitário Roberto Soares Castro, especialista da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), já tinha produzido um kit diagnóstico, porém, ainda faltavam alguns testes para serem realizados para atender ao estágio 4, preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que envolve a definição de parâmetros para implementação de testes de diagnóstico. De acordo com a pesquisadora, o diagnóstico deve alcançar quatro estágios para ser confiável e o trabalho da UFRPE já havia alcançado os 3 estágios iniciais. Coube o projeto da Embrapa, além de outras frentes de atuação, atender o estágio 4 do processo de validação.
Após a caracterização, um experimento que está sendo planejado pela Embrapa por solicitação do Mapa, envolverá a inoculação de animais com os patógenos caracterizados geneticamente para a realização do diagnóstico utilizando dois kits de diagnose por Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay ou ensaio de imunoabsorção enzimática), um teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos, por exemplo, no plasma sanguíneo de equídeos. “O trabalho em parceria que vamos realizar permitirá a validação dos kits e a realização de estudos epidemiológicos do mormo no Brasil. Os testes serão coordenados por integrantes do Portfólio de Sanidade Animal da Embrapa”, esclarece Jefferson Costa.
O objetivo do estudo epidemiológico será conhecer mais detalhadamente onde se encontra a doença, ou seja, onde é maior a sua proliferação no país e, a partir daí, construir políticas públicas que criem, por exemplo, zonas de exclusão. Os resultados constituirão a base para a elaboração de uma política pública de grande relevância.

