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Para o consumidor entender melhor o que são as chamadas uvas de mesa

🕔05.mar 2022

As uvas para consumo “in natura”, também chamadas de uvas de mesa, podem pertencer tanto ao grupo das uvas americanas quanto ao grupo das chamadas uvas finas ou europeias. Dentre as americanas, de sabor aframboesado, a principais variedades são as uvas com sementes Niágara Rosada e Niágara Branca, muito comuns em todo o Brasil. Uvas das variedades com sementes Isabel e Concord, por exemplo, também são consumidas “in natura”, principalmente no Sul no Brasil.

Normalmente, os cachos são pequenos e as bagas são redondas e pequenas. A polpa mucilaginosa é uma característica muito marcante de uvas americanas. Este tipo de polpa se caracteriza por formar uma massa gelatinosa mais ou menos firme que se separa da casca como uma unidade. Em inglês, são denominadas slip-skin. Em português, essas uvas são popularmente chamadas de “uvas de chupar”.

Dentre as uvas finas ou europeias, temos as variedades com sementes, Itália, uma uva branca, e suas mutações somáticas, de coloração rosada ou preta, como Benitaka, Rubi, Brasil e Red Meire, todas com sabor moscatel. Estas uvas, de maneira geral, apresentam cachos e bagas grandes.

Nos anos 80, foram introduzidas variedade de uvas para mesa sem sementes ou apirênicas, já que a busca por este tipo de uvas no mercado internacional tem crescido bastante. Normalmente apresentam bagas menores, como Thompson Seedless ou Sultanina, que é uma uva fina ou europeia, branca, de bagas compridas de sabor neutro e Vênus, uma uva americana, redonda de cor escura, de sabor aframboesado. A polpa destas uvas não é mucilaginosa, podendo ser carnosa ou crocante.

Mais recentemente, o Programa Uvas do Brasil desenvolveu cinco novas cultivares brasileiras sem sementes com ampla adaptação climática, que são BRS Linda, BRS Clara, BRS Morena, BRS Isis, BRS Vitória e BRS Melodia. O destaque é a BRS Vitoria, uma cultivar resistente ao míldio, principal doença da videira, com uvas pretas e sabor aframboesado muito especial, que tem conquistado não somente o consumidor nacional, mas também o internacional, mesmo em mercados considerados exigentes, como o mercado inglês. A cultivar abriu uma janela que estava fechada para o Brasil: exportar uvas de abril a dezembro, ou seja, o período em que o mercado europeu é abastecido pelas uvas da Itália, Espanha e Grécia. A BRS Melodia promete seguir a trilha deste sucesso. Lançada para a região Sul em 2019, ela já chamou a atenção dos produtores nordestinos e já está em validação.

A produção brasileira de uvas de mesa é diversificada, e inclui uvas finas com e sem sementes, predominando as uvas finas do grupo Itália, e também uvas americanas. O cultivo de uvas apirênicas, especialmente das cultivares ´Sugar one’ (‘Festival’), ‘Thompson Seedless’ e ‘Crimson Seedless’, está concentrada no polo exportador Petrolina-Juazeiro, embora grande parte da área naquela região ainda seja ocupada com a cultivar ‘Itália melhorada’. A produção gaúcha caracteriza-se pelo cultivo de uvas de mesa do tipo americanas como ‘Isabel’ e ‘Niágara Rosada’. No estado de São Paulo, tradicionalmente se produz ‘Niágara Rosada’ no sudeste, na região de Campinas.

As cultivares desenvolvidas pela Embrapa, que foram lançadas entre 2012 e 2013, estão se disseminando rapidamente, principalmente no pólo Petrolina Juazeiro. No mercado nacional já é possível encontrar a ‘BRS Vitória’ regularmente nas maiores redes de supermercado das principais cidades do país, sob várias marcas e produzidas em diversas regiões do país.

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