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Os estoques de carbono podem mudar quando a terra muda de uso entre pastagens e agricultura

🕔26.mar 2025

A mudança do uso da terra tem forte impacto nos estoques de carbono (C) do solo no Brasil e sua relação com as mudanças climáticas globais. É o que revela uma pesquisa realizada por pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e da Embrapa Meio Ambiente. O estudo contribuiu para entender como foi analisada a conversão de floresta da Mata Atlântica em pastagens não manejadas e, posteriormente, na conversão dessas áreas em lavouras de soja ou em sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta (ILPF). O trabalho se deu no âmbito do projeto “Melhorando o manejo da pastagem como ‘solução baseada na natureza’ para sequestro de carbono no solo”, financiado pela Shell e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Conduzido no Instituto de Zootecnia (IZ), em Nova Odessa, SP, o trabalho revelou que as conversões de floresta para pastagem e de pastagem para usos agrícola ou sistema de integração influenciam o estoque de carbono no solo. Utilizando imagens do Google Earth e análises laboratoriais, pesquisadores observaram impactos ao longo de 39 anos, evidenciando a interferência de efeitos de borda nos fragmentos de floresta e a contribuição dos sistemas conservacionistas para o sequestro de carbono.

De acordo com Rafaela Ferraz Molina, em sua dissertação, a conversão de floresta para pastagem aumentou o carbono orgânico  apenas na superfície do solo, sem mudança abaixo dessa faixa. Cabe mencionar que os fragmentos de Mata Atlântica avaliados na pesquisa têm forte influência antrópica, estando próximos das cidades e sujeitos a eventos de fogo ao longo dos anos, situação comum no estado de São Paulo.

“Já a mudança de uso da terra de pastagem para o sistema ILPF elevou os estoques de C ao longo do perfil do solo em até 1 metro de profundidade, indicando boa contribuição para o sequestro de C e colocando o sistema integrado com alternativa no combate ao desafio climático. O ILPF demonstrou taxa média de acúmulo de carbono no solo em 5 ton por ha ano. Em contraste, o cultivo de soja em plantio direto manteve o estoque de C do solo sob pastagem, sem ganhos ou perdas”, explica Molina.

O estudo destaca que sistemas conservacionistas, como o ILPF e o plantio direto, são alternativas sustentáveis para a agricultura brasileira. O ILPF favorece o acúmulo do carbono no solo, o que significa retirar CO2 da atmosfera. Atualmente, o Brasil tem 33,5% de seu território ocupado pela agropecuária, setor que contribuiu com 23,8% do PIB nacional em 2023 e 49% das exportações do país.

 

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