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Experiência de um agricultor e a técnica científica se uniram para criar uma ferramenta especial para a bananicultura

0 Comments 🕔10.jun 2026

Idealizada por um produtor e validada cientificamente pela Embrapa, a ferramenta ganhou o nome de “Rabo de Jaraqui”. Esse nome é graças à semelhança com a cauda do jaraqui, peixe típico da bacia amazônica. O removedor artesanal de folhas foi confeccionado a partir de sucatas encontradas na propriedade de um produtor rural de Itacoatiara, no Amazonas.

A eliminação das folhas velhas ou doentes das bananeiras é crucial para o controle fitossanitário porque reduz focos de pragas e doenças. Além do ganho agronômico, a tecnologia otimiza o manejo e reduz custos ao reaproveitar materiais recicláveis nas propriedades.

As folhas eliminadas se decompõem no solo, aumentam a matéria orgânica e melhoram a retenção de água. A expectativa da Embrapa é que o “Rabo de Jaraqui” se espalhe por outras propriedades da região.

O removedor artesanal de folhas de bananeira atesta a relevância da união entre pesquisa e saber popular. Batizado de “Rabo de Jaraqui” pela semelhança com a cauda de um peixe típico da Amazônia, a ferramenta validada pela Embrapa Amazônia Ocidental oferece baixo custo, segurança, eficiência e sustentabilidade no campo.

A inovação para a desfolha de bananeiras foi confeccionada a partir de sucatas da propriedade do produtor rural Raimundo Miguel Barbosa de Lima, em Itacoatiara, AM, e ganhou escala e respaldo científico graças à parceria com o pesquisador Luadir Gasparotto (foto acima), da Embrapa Amazônia Ocidental. Ao identificar o potencial da ferramenta no manejo diário, Gasparotto elaborou o desenho técnico do equipamento e sistematizou o conhecimento, resultando na publicação do Comunicado Técnico 181. O documento detalha o seu funcionamento e garante os devidos créditos à criatividade de Barbosa de Lima.

Segundo Gasparotto, uma bananeira produz entre 40 e 50 folhas ao longo de seu ciclo. “A eliminação das folhas velhas ou doentes facilita a entrada de luz solar, melhora a circulação de ar e reduz a umidade no pomar”, explica. Esses fatores são cruciais para o controle fitossanitário, pois reduzem focos de pragas como o moleque-da-bananeira e doenças fúngicas.

No mercado há vários tipos de utensílios para desfolha das bananeiras, como facões (terçados), foices e podões. Em lojas de produtos agropecuários, existem diversos formatos, normalmente acoplados a um cabo leve e com comprimento adaptado à altura do operador e da bananeira. No entanto, é possível confeccionar uma ferramenta para essa finalidade na própria propriedade rural.

A ideia é reaproveitar diversos materiais que estejam disponíveis, como retalhos de lâminas de ferro oriundos de trabalhos realizados em serralheria, sucatas de facas de roçadeira costal, lâmina de terçado (facão), boca de lobo, enxada, enxadão, foice, pás e discos de grade e arado com cerca de 2 a 3 mm de espessura. “Todos esses materiais podem ser reaproveitados para a confecção da ferramenta para remover as folhas da bananeira”, observa o pesquisador. Basta usar o desenho técnico como molde para corte e solda do metal, que formará uma peça a se encaixar em um cabo.

O processo não foi obra do acaso. “Eu pensei, analisei, estudei e coloquei no papel”, relata o agricultor, que desenvolveu desde o protótipo até o modelo final. O resultado é uma ferramenta que une sustentabilidade e ergonomia: feita inteiramente de material reaproveitado, ela possui uma curvatura específica projetada para a limpeza das folhas sem ferir o caule da planta.

Para Barbosa, a eficácia da ferramenta depende de dois pilares: o corte e a proteção. Ele enfatiza que a lâmina deve estar sempre bem amolada para garantir um corte limpo que não machuque a bananeira. Além disso, o inventor não abre mão da segurança do trabalhador, alertando que o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como luvas e óculos, é indispensável para proteção contra resíduos e insetos que podem cair durante o manejo.

Para a limpeza correta, o agricultor deve esterelizar a ferramenta a cada etapa do trabalho definindo mudança de área ou de ambiente da plantação. O processo é simples, mas vital: um balde com água e água sanitária. “Terminou de limpar a banana-da-terra? Você mergulha a ferramenta, chacoalha e só então vai para [a banana-]pratão”, explica. Esse cuidado evita a transmissão de doenças entre as plantas, garantindo a saúde de todo o pomar.

Além do ganho agronômico, a tecnologia foca no bem-estar do agricultor familiar. O uso do removedor aumenta a segurança porque reduz o abrigo para animais peçonhentos no bananal. Otimiza o manejo, pois facilita a aplicação de insumos e o crescimento de novos perfilhos (brotos). Também tem baixo custo por reciclar materiais da própria fazenda.

 

 

 

 

 

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