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Observação é o segredo para se controlar o ataque da lagarta Helicoverpa armigera em tomate industrial

🕔03.out 2018

lagarta no tomateiroA infestação de lagartas pode ocasionar perdas consideráveis na produção, principalmente se houver surtos populacionais devido a condições climáticas favoráveis, como secas prolongadas e períodos quentes. Mais de 85% das amostras de lagartas coletadas em tomateiros de diferentes polos de produção brasileiros, entre 2012 e 2014, foram da espécie Helicoverpa armigera. O dado é de um monitoramento em larga escala executado por pesquisadores da Embrapa no plantio do tomateiro.

Para facilitar a convivência com a Helicoverpa armigera nos cultivos de tomate para processamento industrial, os especialistas calcularam o nível de controle da lagarta a partir da amostragem da praga nas lavouras e dos fatores que compõem os custos para seu controle. Eles recomendam aos produtores monitoramento periódico e planejamento para o controle dessa praga, pois a simples presença da espécie no campo não justifica a aplicação de inseticidas. É preciso avaliar o nível de dano econômico da infestação e considerar outros métodos de combate, como o manejo integrado de pragas (MIP) e o controle biológico.

A chegada da lagarta Helicoverpa armigera às lavouras brasileiras, na safra de 2012/2013, causou alvoroço no setor produtivo de diversas culturas agrícolas, que se surpreendeu com a voracidade do inseto e os altos índices de perdas. Por ser uma praga altamente polífaga, que não faz distinção de alimento, as plantações de tomate para processamento industrial também foram prejudicadas, especialmente nas regiões produtoras em que a paisagem agrícola é composta por plantios de algodão, soja, milho e feijão.

De lá para cá, para evitar que novos surtos populacionais da lagarta ocasionem perdas significativas, pesquisadores mobilizaram-se para monitorar o plantio de tomateiro e, assim, determinar quais são as espécies de lagartas predominantes nas principais regiões produtoras do País.

De acordo com o pesquisador Miguel Michereff a partir do monitoramento é possível compreender a magnitude do impacto negativo da introdução da Helicoverpa armigera no sistema produtivo de tomate para indústria no Brasil. As lagartas da subfamília Heliothinae eram pragas de importância econômica secundária e ocorrência esporádica nas lavouras antes do ingresso da nova lagarta que, até então, era uma praga exótica ainda não relatada no País.

O importante é que o agricultor não se alarme mas que tenha a capacidade de controlar o que se deve fazer ao primeiro sinal de uma lagarta. “O produtor precisa fazer o controle no momento exato porque, quando se faz antes ou quando se deixa de fazer, perde-se dinheiro”, observa Sousa. Nem sempre a simples presença da H. armigera na lavoura é um indicativo de dano econômico: é preciso avaliar se a população da lagarta é capaz de ocasionar um prejuízo maior do que o investimento para seu controle, considerando custos como produtos químicos, depreciação do maquinário, preço do diesel, diária do operador, entre outros.

Com base nas pesquisas desenvolvidas na Embrapa Hortaliças, o nível de controle da Helicoverpa armigera em plantios de tomate é de 2,5 lagartas, pequenas ou médias, por metro linear de cultivo, um número que se obtém por meio de amostragem e de uma fórmula que considera os variados custos envolvidos no controle da praga. Se após a amostragem da praga na lavoura for obtida uma infestação menor do que o patamar estabelecido, não é necessário fazer pulverizações porque há outros fatores na lavoura que contribuem para o equilíbrio, por exemplo, inimigos naturais e mecanismos de defesa da própria planta.

 

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