O uso de Irrigação no campo reflete no desenvolvimento regional da região
A irrigação é utilizada como instrumento de desenvolvimento regional no Brasil e em outros países. Por aqui, observa-se que os municípios onde produtores rurais adotam essa tecnologia apresentam melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo o coordenador-geral de sustentabilidade de projetos e polos de irrigação do MIDR, Antônio Guimarães Leite. “Em fruticultura, por exemplo, um hectare irrigado gera até três empregos. É uma forma muito eficiente de gerar renda e emprego”.
Por isso, há décadas de investimentos federais no segmento. Mas havia uma lacuna: historicamente, o País enfrentava a falta de informações precisas sobre o uso da irrigação. Ainda no início dos anos 2000, o levantamento era feito por meio de consultas às secretarias estaduais de agricultura, o que resultava em estimativas sem rigor técnico.
O cenário mudou com o lançamento do Atlas Irrigação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em 2017. O estudo revelou que a iniciativa privada expandia-se à margem das políticas governamentais e que 98% das áreas irrigadas estavam fora dos programas oficiais. Com o diagnóstico, entendeu-se que era preciso promover ações para ampliar o uso da irrigação.
A partir de 2019, uma organização do território em pólos de irrigação proposta pela ANA passou a ser adotada. Diálogos com entidades representativas dos agricultores também se iniciaram, com o objetivo de levantar formas de estimular o uso da tecnologia de modo organizado. Leite lembra que, por meio desse trabalho, encontraram necessidades diferentes. Em alguns casos, eram necessários estudos para subsidiar os órgãos públicos na análise de pedidos de outorga para uso da água; em outros, a construção de estradas sem as quais não faria sentido aumentar a produção.
Com programas em execução, surgiu a necessidade de mapeamentos mais frequentes para acompanhar e avaliar a efetividade das ações. “Procuramos a Embrapa Territorial para desenvolvermos um método que permitisse verificar, dentro dos polos em que o Ministério já vem trabalhando a política pública, o que tem acontecido. A área está se expandindo? A expansão tem ocorrido dentro do previsto?”, conta o coordenador-geral da área no MIDR.
Na avaliação de Leite, a disponibilidade de recursos hídricos para ampliar a produção por meio da irrigação é rara no mundo. E investir no segmento é uma forma de melhorar a segurança alimentar da população. “A maioria dos alimentos que consumimos hoje vem da agricultura irrigada: legumes, verduras, arroz e grande parte das frutas e do trigo… Quando falamos em segurança alimentar, não se trata só de ter comida na mesa, mas também dessa variedade nutricional. Precisamos pensar nessa política tão importante para a vida do brasileiro e trabalhar de forma mais organizada. Só conseguiremos isso com informação”, concluiu.

