O projeto Lagos do São Francisco gerou quase R$ 3,00 em benefícios sociais para cada Real investido em favor do produtor rural do sertão Pernambucano
Ao longo de cinco anos, 508 produtores rurais foram diretamente atendidos pelo projeto. Além disso, mais de 5,2 mil pessoas participaram de capacitações, dias de campo e eventos técnicos. No resumo da avaliação técnica, o impacto aponta que valor social total gerado pelo projeto alcançou R$ 20,5 milhões, a partir de um investimento de R$ 7 milhões. Isso significa que de cada R$ 1,00 (um real) investido, quase R$3,00 foram revertidos em benefícios sociais para o produtor rural.
Um estudo de avaliação de impacto foi realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e revelou que o Projeto Lagos do São Francisco, executado entre 2019 e 2024 pela Embrapa Semiárido (PE), gerou R$ 2,92 em benefícios sociais para cada R$ 1,00 investido. Com base na metodologia internacional SROI (Retorno Social do Investimento), os avaliadores estimaram que o valor social total gerado pelo projeto alcançou R$ 20,5 milhões, a partir de um investimento de R$ 7 milhões.
Financiado pela AXIA Energia (antiga Eletrobras Chesf), com parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio das prefeituras locais, o projeto teve como foco o fortalecimento da agricultura familiar e a promoção de práticas produtivas sustentáveis. As ações transformaram a realidade de comunidades rurais de 12 municípios localizados no entorno das barragens do Rio São Francisco, abrangendo os estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe.
Ao longo de cinco anos, 508 produtores rurais foram diretamente atendidos pelo projeto e mais de 5,2 mil pessoas participaram de capacitações, dias de campo e eventos técnicos. Além dos agricultores e suas famílias, os impactos positivos também foram sentidos pelos técnicos agropecuários envolvidos na execução das atividades.
O levantamento realizado com 265 produtores revelou avanços em múltiplas dimensões. Dentre os entrevistados, 78% afirmaram ter melhorado a alimentação da família, 85% disseram sentir-se mais seguros financeiramente e 74% expressaram redução da preocupação com dívidas e escassez de recursos.
Na esfera de bem-estar individual e social, entre os resultados observados, 97% dos beneficiados relataram satisfação por compartilhar conhecimentos com outros agricultores, 94% sentiram maior motivação para o trabalho, e 91% passaram a enxergar com mais otimismo a possibilidade de viver da própria produção.
Além dos ganhos sociais e econômicos, o projeto também gerou impactos ambientais: mais da metade dos participantes (56%) passou a preservar ou reflorestar novas áreas em suas propriedades, incorporando práticas agroecológicas e uso racional da água. Essas mudanças foram impulsionadas pelos Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs), áreas demonstrativas implantadas nas propriedades com apoio técnico e fornecimento de insumos.
Os técnicos agropecuários também relataram benefícios diretos. Todos os entrevistados (100%) declararam aumento na motivação, no reconhecimento profissional e na satisfação pessoal por contribuir para o desenvolvimento dos produtores.
Para o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Semiárido Rebert Coelho, os resultados superaram as expectativas e demonstram que a Embrapa segue no caminho certo ao promover o desenvolvimento sustentável em diferentes realidades produtivas. “O Lagos do São Francisco teve foco na agricultura familiar, que representa uma parcela essencial dos produtores do País. No Semiárido, esse trabalho ganha ainda mais relevância, por atender comunidades historicamente desassistidas. O projeto mostrou que, com articulação institucional, tecnologias, assistência técnica e protagonismo do produtor, é possível gerar renda e promover a convivência produtiva com o Semiárido”, destacou.
Já a vice-presidente de Sustentabilidade da AXIA Energia, Camila Araújo, ressalta que é muito positivo observar, na prática, como as ações de responsabilidade socioambiental da empresa contribuem para transformar vidas e fortalecer comunidades nas áreas de influência de seus empreendimentos.

