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O piolho-de-cobra ajuda a produzir o novo e especial gongocomposto

🕔12.jan 2017

piolho-de-cobraO gongocomposto é como está sendo chamado o novo húmus, um produto que não perde em nada para os melhores substratos comerciais. Esse húmus é produzido com ajuda do piolho de cobra, ou do embuá, ou da maria-café, como é conhecido gongolo, pequenos animais que fazem parte da fauna do solo.

Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (RJ) descobriram que os gongolos são exímios trituradores de resíduos e produzem adubos orgânicos de excelente qualidade. Já testado na produção de mudas de hortaliças. Ao contrário das minhocas que são bem famosas pela capacidade de produção de húmus, os gongolos são pouco conhecidos e não há registro de qualquer estudo na produção científica brasileira sobre o tema.

O resultado das pesquisas mostrou que o substrato produzido pelos gongolos tem a mesma qualidade dos materiais gerados pelas minhocas. A diferença é que o vermicomposto que é produzido pelas minhocas, ainda precisa ser misturado com pó de carvão e torta de mamona para melhorar sua textura e seu nível de nitrogênio, enquanto o gongocomposto já está pronto para uso na produção de mudas em três meses.

Esses animais vivem escondidos embaixo de folhas, pedras ou troncos de árvores, e algumas vezes são confundidos com pragas. A pesquisadora da Embrapa Maria Elizabeth Correia explica que produzir o gongocomposto não requer muita mão de obra e pode ser uma boa alternativa para o produtor aproveitar resíduos orgânicos existentes na propriedade e ainda reduzir custos com o uso do substrato obtido.

“Criamos um procedimento mínimo em que sabemos que podemos colocar até papelão que o animal processa”, comenta a especialista. Resíduos comuns na propriedade agrícola, como bagaço de cana, sabugo de milho e aparas de grama também podem ser utilizados. Basta adicionar sempre um material rico em nitrogênio, como, por exemplo, uma leguminosa.

Uma particularidade do processo é que a ação dos gongolos reduz o volume de materiais em 70 por cento. Se o produtor colocar dez litros de resíduos, no final terá três litros de composto. O processo pode levar de três a seis meses, sem a exigência de revirar o material. “O que fazemos é juntar os resíduos secos e o gongolo, e colocar em uma área confinada para que ele não saia dali e processe tudo. Uma vez por semana é preciso checar a umidade e, se estiver muito seco, é necessário molhar o composto”, explica a pesquisadora.

 

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