O cultivo de arroz no Estado de Tocantins
O Tocantins é o terceiro maior produtor de arroz do Brasil, atrás apenas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A colheita da safra de arroz 2023/2024 foi finalizada e a estimativa é que sejam alcançadas 619 mil toneladas com o grão, um aumento de cerca de 19% em relação à safra anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Esse montante é obtido, principalmente, em sistema irrigado em cerca de 100 mil hectares, o que corresponde a aproximadamente 95% da área total plantada com arroz no Tocantins. Os principais municípios produtores são Formoso do Araguaia e Lagoa da Confusão. A produção abastece o mercado interno e estados vizinhos das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.
Rodrigo Sérgio, analista da Embrapa Arroz e Feijão (GO), estima que em torno de 88 mil hectares (90% da área total com arroz) no Tocantins sejam plantados com sementes geradas pela Embrapa. Oito cultivares com a genética da empresa são importantes para a orizicultura do estado. Em relação ao cultivo em sistema irrigado, destacam-se a BRS A706 CL, a BRSA705, a BRS A704, a BRS Catiana e a BRS Pampeira. No que diz respeito ao sistema de produção de terras altas, as principais cultivares são a BRS A504 CL,a BRS A502 e a BRS Esmeralda.
A relevância do papel desempenhado pelas cultivares da Embrapa no Tocantins emergiu nos últimos cinco anos e, conforme o analista, reflete o trabalho de melhoramento genético do arroz que foi sendo aprimorado ao longo de mais de quatro décadas e remonta também à história de projetos de irrigação, como o Projeto Rio Formoso (1979), de sistematização de extensas áreas de várzeas.
“O Tocantins, que tem uma história de produção a partir da abertura de áreas irrigadas, possui hoje entre 100 mil e 120 mil hectares para o plantio do arroz, sendo a Lagoa da Confusão o principal produtor. Há ainda potencial para alcançar 300 mil hectares de várzeas tropicais. No passado, no início desse processo, faltava genética adaptada à região e é essa genética que foi gerada pela pesquisa que está fazendo a diferença atualmente”, pontua Sérgio.
Ele lembra que, nos primórdios do cultivo irrigado de arroz no Tocantins, as cultivares plantadas vinham da Região Sul e possuíam uma genética adaptada para o ambiente subtropical, mas não estavam aprimoradas para a orizicultura local. Com o trabalho de melhoramento genético específico para as condições tropicais, começaram a surgir cultivares mais produtivas para essas regiões, sendo que um dos diferenciais desse trabalho foi o desenvolvimento de resistência a doenças.

