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O combate ao inimigo invisível das plantações de soja

🕔21.jan 2025

O percevejo tem sido um dos principais desafios enfrentados pelos produtores de soja nos últimos anos. Os prejuízos causados pelo percevejo são diferentes de acordo com a fase em que se encontra a soja. Segundo os especialistas, essa praga ataca principalmente as vagens, e quando o ataque ocorre no estágio chamado ‘canivetinho’, ou início da formação das vagens, o grão não se desenvolve, e as vagens ficam chochas e caem. Apenas essa praga tem a capacidade de reduzir de 30 a 40% a produtividade da soja em grão e, se o plantio for para multiplicação da semente (sementeiras) esse número aumenta para até 50% da produção.

As primeiras gerações do inseto ficam em plantas daninhas, na mata ou hibernando, e aparecem logo no início do ciclo reprodutivo da soja, depositando ovos que vão originar novas gerações. “O ataque provoca uma diminuição significativa da produtividade. O produtor espera colher ‘x’ sacas por hectare e acaba tendo um rendimento muito menor. Mas ele não enxerga esse ataque silencioso do inseto, só mais adiante vai se dar conta dessa perda”, afirma a pesquisadora e CEO da Life Biological Control, Cristiane Tibola

Com sólida experiência técnico-científica em pragas agrícolas, principalmente através do controle biológico, químico, biotecnologia e manejo integrado de pragas, Cristiane ressalta que o dano do percevejo também pode ser diferente dependendo do estágio em que se encontra o grão ao ser picado.

“Além do abortamento da vagem, que vai diminuir a produtividade, quando o dano ocorre em vagens já desenvolvidas, os percevejos podem injetar toxinas e inocular fungos que causam manchas e diminuem muito a qualidade do grão. Isso se reflete na hora da classificação e venda, ou seja, o produtor vai receber menos em função da má qualidade do grão causada pelo ataque de percevejos”, destaca Cristiane.

No Brasil, apenas 0,3% do controle de percevejos é realizado com ferramenta biológica, o que causa resistência a inseticida químico e aumenta o custo de controle, pois traz a necessidade de mais aplicações no ciclo. Para auxiliar no controle desta praga de fácil propagação e muito resistente aos inseticidas químicos, a Life Biological Control lançou no mercado o Defender Soy, produzido à base da vespa parasitoide (Telenomus podisi).

De acordo com pesquisa realizada pela Embrapa Soja, as espécies de percevejos encontradas com mais frequência na cultura da soja são o percevejo-marrom e o percevejo-verde-pequeno, sendo o principal alvo na aplicação de inseticida químico. Estima-se que para o controle do percevejo na soja sejam realizadas, em média, de quatro a oito pulverizações de inseticidas por ciclo da cultura. Porém, o uso frequente de inseticidas tem favorecido a seleção de indivíduos resistentes, e falhas de controle no campo têm sido reportadas com frequência.

Diante desse cenário, o uso da microvespa Telenomus podisi como um defensivo biológico tem se mostrado, cada vez mais, uma estratégia eficaz no controle de pragas, especialmente do percevejo-marrom, ressalta a pesquisadora. “O Defender Soy apresenta controle acima dos 95% na cultura da soja. É o único produto no mercado que elimina o ovo do percevejo. O resultado é um grão com melhor qualidade e peso, melhorando muito o vigor da semente”, enfatiza Cristiane.

 

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