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O choque provocado pela crise no preço dos ovos e a importância da gestão para reduzir os impactos negativos na avicultura

🕔17.mar 2025

O desabastecimento de ovos nos supermercados norte-americanos, por conta de efeitos da gripe aviária, disparou o preço do produto em mais de 15% no começo do ano, chegando a 53% a mais em comparação com o último ano. No Brasil, o cenário não é diferente: o mesmo produto teve crescimento de 15,39% em fevereiro, segundo dados do IPCA, divulgados pelo IBGE.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras), recentemente, atribuiu a subida dos preços ao aumento dos custos de alimentação das aves, das embalagens e da demanda maior. Com a proteína animal em evidência, reforçou-se o debate sobre a necessidade da gestão de riscos no agro. Segundo o VP da unidade de negócios da Falconi voltada para o Agronegócio, Andre Paranhos, problemas como a alta nos preços por conta da escassez do produto, impulsionados por surtos de gripe aviária e desafios logísticos, ou alta procura sazonal, demonstram como certos eventos podem impactar a cadeia produtiva e reforçam a necessidade de estratégias para mitigar perdas e garantir a sustentabilidade do setor.

Desde o início do surto nos EUA, em 2022, mais de 100 milhões de galinhas foram perdidas, segundo a United Egg Producers. Isso está fazendo com que as caixas de ovos sejam vendidas nas prateleiras dos supermercados a preços que, convertidos para o real, chegariam aos R$70. Além disso, recentemente, a Turquia anunciou que pretende exportar mais de 400 milhões de ovos durante o ano para o país, segundo a União Central dos Produtores de Ovos da Turquia.

No Brasil, além da alta procura sazonal, já esperada pelos produtores, também houve impactos que ultrapassam o controle das gestões das fazendas. Insumos como o milho, além das embalagens usadas para embalar os ovos, tiveram aumentos expressivos nos últimos meses. Também somam-se à equação os efeitos causados pelas altas temperaturas, que interfere na produtividade das aves.

Para Andre Paranhos, crises como essa poderiam ser minimizadas com uma abordagem estruturada de gestão de riscos. “O agronegócio é um setor altamente vulnerável a fatores externos, como mudanças climáticas, surtos sanitários e oscilações de mercado. Ter uma gestão de riscos bem definida permite que os produtores se antecipem a esses desafios e reduzam impactos negativos, sem precisar ‘aprender com a dor’”, afirma. “Falta preparação e uma cultura de prevenção. Seja no ambiente público ou no privado, na cidade, no campo e nos mais diferentes segmentos econômicos, é evidente a necessidade de uma evolução nas práticas de gestão empresarial”, complementa o VP da Falconi.

Segundo o especialista, uma boa gestão de riscos, além da necessidade de um planejamento eficiente, envolve a adoção de medidas preventivas e reativas que garantam a continuidade da produção mesmo diante de adversidades, evitando os “três Ds”: descuido, desleixo e desconhecimento. Há ainda a “necessidade de um olhar holístico e amplo sobre os problemas”, mapeando possíveis riscos na gestão dos campos, contando com o conhecimento dos líderes e o potencial da tecnologia preventiva.

Para o especialistas, os produtores deveriam seguir algumas dicas de controle do negócio, entre elas, a Diversificação da produção: evitar a dependência de um único produto ou mercado reduz os impactos de crises específicas em determinados segmentos. Monitoramento sanitário e biossegurança: investir em práticas rigorosas de biossegurança e em sistemas de monitoramento contínuo pode evitar a disseminação de doenças, como a gripe aviária. Cuidados na Gestão de estoques e logística: criar reservas estratégicas e melhorar a eficiência da cadeia logística garante maior resiliência diante de interrupções no abastecimento. Importante também adotar o Uso de tecnologia e dados: ferramentas de análise preditiva e inteligência artificial ajudam a antecipar tendências de mercado e eventos climáticos, permitindo uma resposta mais rápida e precisa.

Finalmente, é sempre bom ter uma alternativa contra as perdas. E nesse caso entra o Seguro rural e instrumentos financeiros: a contratação de seguros auxilia na mitigação de prejuízos causados por oscilações de preços e eventos climáticos extremos, como enchentes e queimadas.

Para Paranhos, a chave para evitar crises na avicultura está na profissionalização da gestão e na adoção de uma visão estratégica. “Os produtores que integram planejamento, gestão de risco, tecnologia de dados e conhecimento pessoal têm mais capacidade de adaptação e competitividade no mercado. O Brasil é referência no controle sanitário, mas o agronegócio precisa encarar esses desafios com inovação e eficácia”, conclui.

 

 

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