O cavalo de vaquejada exige atenção especial com a alimentação
A Vaquejada, praticada tradicionalmente na região nordeste do país, vem sendo uma excepcional área de atuação do cavalo Quarto de Milha. Essa atuação da raça, quase generalizada decorre da capacidade de rápida aceleração em curtas distâncias, devido à distribuição de suas fibras musculares, com baixa capacidade oxidativa e alta capacidade glicolítica.
Para Luzilene A. de Souza – Veterinária e Supervisora Técnica de Equinos no Nordeste, da Guabi – quando comentamos sobre cavalos atletas de vaquejada, logo lembramos dos animais que exigem o máximo de seu desempenho. A pergunta é: Como conseguir os melhores resultados e a melhor performance esportiva? Ela mesma responde: “não dependerá de um único fator isolado, mas da interação de vários fatores, como: a genética, a criação, a doma racional, o treinamento adequado e o manejo alimentar e sanitário. Estes elementos, quando alinhados, podem fazer com que os equinos atinjam os melhores resultados nas competições, facilmente, demonstrando todo o seu potencial.”
Em busca de suprir as exigências nutricionais destes atletas, é fundamental que a alimentação seja adaptada de acordo com a necessidade do equino. Deve ser fornecida de forma balanceada, sem deficiências e nem excessos, onde a água, o volumoso, o concentrado e o sal mineral devem estar presentes nas quantidades adequadas.
Veja algumas recomendação: Para um cavalo de 500Kg em um trabalho muito intenso – onde se enquadram os cavalos de vaquejada – é necessária a ingestão diária de água, que varia em torno de 34,5 a 60 litros. Esta quantidade pode aumentar de acordo com a intensidade do esforço realizado e das influências do meio ambiente. Devemos ficar atentos a este suporte hídrico, que deverá ser de boa qualidade, pois a falta deste nutriente em 15% de sua reserva pode levar o equino a óbito;
Quanto ao volumoso a necessidade em matéria seca (MS) varia em média de 0,5 a 2,5% do peso vivo (PV) por dia, sendo assim, a base alimentar do cavalo deve compor pelo menos 50% da sua dieta total e ser de boa qualidade, evitando desequilíbrios nutricionais e, consequente desenvolvimento de enfermidades, como a Osteodistrofia Fibrosa, popularmente conhecida por “Cara Inchada”. Um dos fatores predisponentes é o fornecimento de forragens ricas em um composto chamado ácido oxálico, que torna indisponível o cálcio da dieta, como por exemplo, a brachiaria humidícula e o cultivar dictyoneura. Outro grupo de gramíneas que apresentam as mesmas características são os panicum (mombaça, tanzania, massai). É preciso ficar atentos para algumas práticas de fornecimento, que devem anteceder o concentrado;
Como se trata de animais de alto desempenho atlético, o concentrado deverá ter alto nível energético e estar balanceado com os demais nutrientes, atendendo sua necessidade diária dentro do intervalo de 0,5 a 1,5% do PV. O mesmo deve ser fornecido em várias refeições ao dia, não ultrapassando 2kg por vez, a fim de obter máximo aproveitamento e uma segurança alimentar, devido as particularidades do trato gastrointestinal dos equinos. Alguns cuidados devem ser tomados quanto ao fornecimento do concentrado, para que evite sobrecargas e distúrbios digestivos, como: não disponibilizar ao animal imediatamente antes ou após o exercício; não deixá-lo exposto por período prolongado no cocho e seguir rigorosamente os horários estabelecidos para o fornecimento do mesmo. Toda mudança de ração deve ser realizada de forma gradual;
A mineralização é de extrema importância. Se os esforços físicos forem intensos, maiores serão as perdas, e muitas vezes elas não conseguem ser repostas. Os eletrólitos requeridos em maior quantidade são: o cloro (Cl), o sódio (Na), o potássio (K), o cálcio (Ca) e o magnésio (Mg) que devem ser suplementados na dieta. A administração deverá ser contínua, podendo ser realizada direto na ração, por ingestão forçada ou em cochos com livre acesso, neste último o animal dosará seu próprio consumo conforme a sua necessidade. Estima-se que o consumo médio varie entre 70 a 90g diários. Esta quantidade poderá ser influenciada pelo exercício e pelas condições ambientais.
Durante a competição ou em dias que antecedem a Vaquejada são necessários alguns cuidados com o manejo alimentar do cavalo atleta, evitando alterações, onde qualquer mudança deverá ser realizada com no mínimo três semanas antes da prova, para que o animal tenha tempo hábil para se adaptar. Durante o dia da competição, a alimentação à base de concentrado deve ser fornecida entre quatro e cinco horas antes do início da atividade física, além de água e volumoso, para que animal tenha o melhor desempenho. Caso o animal necessite estar disponível durante todo o dia de competição, o volumoso poderá ser ofertado à vontade.
O treinamento destes animais deve potencializar ao máximo o seu desempenho, de acordo com a sua atividade. O objetivo é promover o condicionamento físico dos sistemas cardiorrespiratórios e musculoesqueléticos, para que exerçam de forma adequada as suas funções.

