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O capim elefante pode ser cultivado do Norte ao Sul do Brasil e apresenta muita qualidade nutricional

🕔04.Maio 2025

De origem africana, como grande parte das gramíneas tropicais utilizadas na pecuária, o capim-elefante era pouco utilizado na alimentação dos bovinos, embora a pesquisa agropecuária observasse nele um grande potencial. No ano de 1991, a Embrapa e parceiros da iniciativa privada criaram o Programa Nacional de Melhoramento do Capim-elefante, dando início às pesquisas de novas variedades por meio de cruzamentos de variedades do Banco Ativo de Germoplasma de Capim-elefante (BAGCE). “O que nossos estudos buscavam era uma forrageira capaz de produzir silagem de qualidade, que pudesse ser acessível tanto para o grande quanto para o pequeno produtor de leite”, conta Pereira.

Dos milhares de cruzamentos realizados, os pesquisadores selecionaram 50 híbridos para serem testados em 21 estados do país. De todo esse material, um dos híbridos, a BRS Capiaçu, se destacou em praticamente todos os estados. Após 15 anos de pesquisas, a cultivar chegou ao mercado como o primeiro híbrido de capim-elefante lançado pela Embrapa. Para que o maior número de produtores tivesse acesso, foi montada uma rede de distribuição de mudas certificadas com o registro de diversos viveiristas.

Quando foi lançada há uma década, o que mais impressionou os produtores foi o tamanho do capim, que chega a ultrapassar quatro metros de altura e tem elevada produção de biomassa. Aliás, o aspecto gigante da cultivar está presente no nome da gramínea: “açu”, em tupi-guarani, significa “grande” e o nome “Capiaçu” é uma corruptela de capim-açu (capim grande).

Mas a BRS Capiaçu não tem apenas tamanho. Segundo o pesquisador da Embrapa Antônio Vander Pereira, que coordenou o desenvolvimento da cultivar, o valor nutricional da gramínea ensilada é de boa qualidade e bem superior à cana-de-açúcar com adição de ureia, bastante utilizada até a década passada como forragem para o gado durante o período seco do ano.

O pesquisador destaca que, além dessas qualidades,  o custo da silagem do capim é até três vezes menor do que a de milho ou de sorgo. Tais vantagens fizeram a BRS Capiaçu transcender a pecuária nacional, e ganhar em outros países da América Latina.

 

 

 

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