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O bom funcionamento de um sistema silvipastoril deve ter a medição do tronco das árvores no ambiente

🕔09.out 2024

Um estudo publicado na revista internacional Agroforestry Systems por pesquisadores da Embrapa destaca a área basal das árvores como um indicador estratégico para o manejo de componentes florestais em sistemas silvipastoris. A pesquisa ressalta a importância e os desafios dos sistemas integrados, fornecendo insights sobre como otimizar a densidade de árvores para maximizar a produção de madeira e pastagem, além de promover benefícios ambientais e bem-estar animal.

A área basal, que mede a ocupação florestal por meio da quantificação da área da seção transversal dos troncos das árvores por hectare, é uma métrica central para equilibrar a produção agrícola e a sustentabilidade na combinação de árvores e pastagem. De acordo com o primeiro autor do artigo, o pesquisador José Ricardo Pezzopane, da Embrapa Pecuária Sudeste, uma área basal bem gerenciada pode melhorar significativamente a produtividade da pastagem e das árvores, além de proporcionar benefícios ecológicos.

Os resultados de diversos experimentos em longo prazo mostraram que existe uma relação entre a transmissão da luz pelas árvores e a produção do pasto, assim como uma relação entre a área basal das árvores e a transmissão de luz, indicando a área basal ideal para a uma produção equilibrada no sistema silvipastoril.

O valor da área basal para manter o equilíbrio de todos os componentes do sistema foi de 8 m2 por hectare, permitindo a produção de pastagem em níveis semelhantes ao sistema a pleno sol. O crescimento das árvores também foi otimizado com essa área basal. Esse fato pode contribuir para a conservação do solo, aumento da biodiversidade e sequestro de carbono, essenciais para a mitigação das mudanças climáticas, tão presentes em todo o mundo, afetando todo tipo de vida na terra.

Segundo Pezzopane, há ainda benefícios para o bem-estar animal. “O gado em áreas com uma densidade de árvores equilibrada apresentou melhor ganho de peso e de indicadores de saúde devido à redução do estresse térmico e a um ambiente mais confortável”, explica.

A pesquisa oferece diretrizes práticas para agricultores e gestores florestais, sugerindo o monitoramento contínuo da área basal e a adaptação das práticas de manejo às condições específicas de cada local. O pesquisador Valdemir Laura, da Embrapa Gado de Corte (MS) um dos coautores do artigo, reforça que, mesmo alterando o número de árvores por hectare ou a espécie de eucalipto, o valor da área basal não muda, é uma referência segura. Os dados de longo prazo são essenciais para entender as dinâmicas desses sistemas e garantir a sustentabilidade.

No artigo, os pesquisadores defendem que políticas públicas devem incentivar essas práticas de manejo que promovam o uso sustentável das propriedades rurais. “Deve-se incluir subsídios para a implementação de monitoramento da área basal e outras práticas, além de programas de educação e capacitação para pecuaristas e gestores florestais”, recomenda Pezzopane.

 

 

 

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