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O agronegócio passa por período de redução e estabilidade no crescimento

🕔21.jul 2022

Os gastos dos produtores brasileiros com adubo subiram para US$ 9,6 bilhões nos cinco primeiros meses deste ano, 178% acima dos de igual período do ano passado. As importações de defensivos somaram US$ 1,74 bilhão em igual intervalo, crescimento de 94%. Isso mesmo em um cenário onde o produtor nacional reduziu o uso de fertilizantes em termos de kg/há. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia desequilibrou o mercado, provocando entre outras coisas, uma grande volatilidade com aumento do custo do transporte marítimo e dos insumos agrícolas.

Por isso o agronegócio demonstra sinais de acomodação do ciclo de crescimento. Embora o preço das commodities agrícolas ainda permaneça em alta, tanto por conta de uma manutenção de demanda e incerteza com relação à oferta, o lado dos custos continua a pressionar as margens. “Todo este cenário levará a uma maior pressão nas margens. Ao mesmo tempo, por conta da alta dos preços dos insumos, veremos menos apetite dos produtores em abrir novas áreas, e maior restrição a investimentos por parte dos financiadores”, explica o gestor da Mav Capital, André Ito. O executivo destaca que os produtores tentarão se valer da “reserva” de fertilidade que áreas maduras tem e investirão menos em adubo. “Esse acaba sendo um movimento de curto prazo, e nos anos subsequentes essas áreas precisarão novamente de aporte de nutrientes”, lembra.

Como resultado deste cenário, o setor passará por momentos de margens e produtividade mais voláteis. No entanto, segundo Ito, isso não quer dizer que o agronegócio vivenciará uma crise ou um cenário ruim nos médio e longo prazos, muito menos se espera margens negativas na produção dos próximos anos. “Na verdade, estamos saindo de um momento espetacular para um momento bom que demanda mais capacidade do produtor rural, de comprar bem e vender bem”, diz.

 

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