Mudas de uvas ganham selo de qualidade
A distribuição dos selos e etiquetas começou a ser feita nesta semana. A partir deste ano, com a inclusão dos selos de qualidade de mudas – Premium, Superior e Standard – ficará mais fácil para os viticultores identificarem os níveis de qualidade das mudas comercializadas. Além dos selos colocados nas sacarias e nas caixas, os feixes de mudas também terão etiquetas indicativas da sanidade viral do material vegetal utilizado, represendo a ausência das principais viroses que afetam a videira. A distribuição dos selos e etiquetas começou a ser feita nesta semana aos viveiros na Serra Gaúcha e nas demais regiões do estado e em Santa Catarina e poderá ser verificada no recebimento das mudas. A iniciativa é dos viveiristas associados Apassul (Associação dos produtores de sementes e mudas do Rio Grande do Sul), licenciados pela Embrapa.
“Quando iniciamos o projeto em 2013, a situação era muito complicada, as mudas comercializadas eram contaminadas por vírus e doenças de tronco em níveis elevados, não apresentavam padrão morfológico unificado e muitas vezes eram obtidas na informalidade. Isso representava um grande prejuízo ao viticultor, pois uma muda de qualidade é o ponto de partida para a garantia de produção e da longevidade do parreiral”, pontua Daniel Grohs, engenheiro agrônomo da Embrapa Uva e Vinho, um dos coordenadores da iniciativa.
Para Lucas Sinigaglia, coordenador do Comitê de Mudas dos viveiristas associados Apassul e proprietário do Viveiro Sinigaglia ao lado do irmão Edgar, o selo marca uma nova fase para o viveiro. “Estamos recebendo o selo de qualidade Premium, que é o resultado de um trabalho que iniciou há três anos, uma parceria entre a Associação dos Viveiros, a Embrapa e a Apassul, que faz a certificação das mudas. Isso é uma garantia para o produtor que está adquirindo as mudas dos viveiros licenciados da Embrapa, de que vai ter uma muda de alta qualidade para a formação de vinhedos longevos, produtivos e sanitariamente confiáveis”, avaliou.
Elisangela Sordi, engenheira agrônoma e desenvolvedora de Mercado de Mudas da Apassul é a responsável pela vistoria, garantindo que os parâmetros estabelecidos estão sendo cumpridos, o que resulta, na qualidade final da muda. “O conjunto das visitas, coletas de amostras e análise de diferentes parâmetros, que vão desde o diâmetro da muda até a presença de doenças, é que nos permite definir se a muda irá receber o selo de Premium, Superior ou Standard. Esse
De 2013 a 2019 a Embrapa Uva e Vinho executou o projeto Mudas de Qualidade, que contou com a participação de diversas instituições e organizou a produção profissional de mudas de videira. Dentre os avanços, segundo Grohs, pode-se destacar a obtenção de plantas básicas de elevada sanidade viral; a consolidação da oferta do material propagativo básico aos viveiristas e o desenvolvimento de tecnologias para melhoria dos sistemas de produção de mudas.
“No que se refere à qualidade de mudas, o maior impacto que conseguimos ao longo dos anos foi a mudança de comportamento dos produtores de uva, que hoje exigem a chamada “muda de qualidade” no momento da compra. Muda de qualidade é sinônimo de um padrão de muda produzido a partir do conjunto de recomendações técnicas da Embrapa, associada a uma genética conhecida com elevada sanidade viral”, define Grohs.
Após a finalização do projeto em 2019, se observou um aumento da demanda pela entrega de mudas qualificadas. Tanto pelos licenciados, inclusive de fora do Rio Grande do Sul, como pelos viticultores. O setor passou a ver a muda de qualidade como uma marca de alto valor agregado.
A base do programa de acompanhamento de qualidade de mudas de videira Apassul inicia com a legalização do viveiro, verificando sua adequação e respeito às normas oficiais para produção de sementes e mudas. Posteriormente, é realizado o monitoramento da condição sanitária dos matrizeiros, em especial o diagnóstico molecular laboratorial quanto a presença das principais viroses. As mudas procedentes dos campos aprovados, recebem a “etiqueta amarela” em cada fardo comercializado.
A inclusão das etiquetas com níveis de qualidade em mudas é mais um dos resultados de uma verdadeira revolução que vem acontecendo na viticultura brasileira.

