Mosquitos aquáticos podem indicar o grau de degradação do meio ambiente
Insetos aquáticos presentes em águas correntes ou paradas podem indicar se as áreas estão preservadas ou em fase de degradação. Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFDG), em estudo realizado na Amazônia, descobriram que mudanças no padrão alimentar de uma família de insetos aquáticos (Chironomidae Diptera), presentes nos igarapés da Amazônia Oriental, podem servir como importante indicador das alterações ambientais causadas pela atividade agrícola.
Foi a primeira vez que as consequências de diferentes usos e coberturas do solo foram avaliadas utilizando esses insetos. Como esses animais podem ter uma maior ou menor sensibilidade à poluição e às mudanças no ambiente, necessitando de condições específicas para se desenvolverem, eles indicam aos cientistas a extensão e intensidade de impactos ambientais em um ecossistema aquático e na bacia. Para isso, são analisados fatores como a presença dos insetos, sua quantidade, distribuição e comportamento alimentar.
O estudo revelou que os córregos em ambiente de floresta mostraram uma assembleia aquática (grupo de insetos) mais estável, enquanto que as encontradas em áreas com agricultura se apresentaram menos diversas e funcionais.
As diferenças observadas na dinâmica alimentar das comunidades de insetos são relacionadas aos impactos do uso e da cobertura do solo, evidenciando a estreita influência que existe entre o desmatamento de áreas de floresta ripária (mata ciliar) para uso agropecuário e as mudanças verificadas na funcionalidade alimentar desses insetos.

