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Monitor de Secas diz que março a seca no Nordeste aumentou

🕔26.abr 2021

No mês de março de 2021, o registro de seca foi mais severo nos estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. No Ceará e na Paraíba houve uma leve piora nas condições do fenômeno. Apenas no Maranhão aconteceu uma leve melhora, enquanto em Sergipe a situação de manteve estável e a mais severa do Nordeste.

A piora na condição de seca no Nordeste se deve às chuvas abaixo da média ao longo dos últimos meses, marcada pelo aumento das áreas com seca moderada e/ou grave em parte de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Por outro lado, devido às precipitações acima da média no último mês, houve uma redução das áreas com seca fraca e moderada no Maranhão – único estado nordestino que registrou melhora nas condições do fenômeno.

Na comparação entre fevereiro e março, Alagoas teve um aumento significativo da severidade do fenômeno com a ampliação das áreas com seca grave (de 9% para 33% do estado) no oeste em função das chuvas abaixo da média no último semestre. Por outro lado, no último mês 15% do território alagoano passaram a estar livres do fenômeno, o que não acontecia desde setembro de 2020, quando 22% do estado não registraram seca. Esse recuo no leste se deu por conta das chuvas acima da média na região.

A Bahia registrou um aumento da área com seca de 83,2% para 100% de seu território entre fevereiro e março. Desde março de 2019 o estado não passava pelo fenômeno em 100% de seu território. Além disso, a seca se agravou com o aumento da porção com a severidade moderada, que saltou de 13% para 54% nos últimos dois meses. Outro indicativo da piora das condições na Bahia foi o ressurgimento de área com seca grave em 1% de seu território. A área total com seca no estado foi a maior do Brasil em março (567.295km²) entre as 20 unidades da Federação acompanhadas.

Segundo o Monitor de Secas, em março o Ceará seguiu com o fenômeno em 100% de seu território. Em termos de severidade, aconteceu um leve aumento da área com seca moderada, em direção ao litoral leste, que passou de 34% para 36% do território cearense em comparação a fevereiro por conta da piora dos indicadores do fenômeno. Esta é a maior extensão de seca moderada no estado desde fevereiro de 2020, quando 57,7% do território cearense enfrentou esse grau de severidade. Os impactos de curto e longo praz na porção central do estado e de curto prazo nas demais áreas permanecem.

Entre fevereiro e março, o Maranhão foi o único estado nordestino que teve uma leve redução da área total com seca de 61% para 58% do território maranhense. Com isso, o Maranhão teve a maior área livre de seca no Nordeste em fevereiro: cerca de 42%. Esta é a melhor condição do fenômeno no estado desde setembro de 2020 e a melhor situação do Nordeste no último mês.

No caso da Paraíba, a área com seca moderada subiu de 58% para 62% entre fevereiro e março no leste, devido às chuvas abaixo da média nos últimos meses, sendo que o restante do território apresentou seca fraca. Com isso, o estado tem a maior severidade do fenômeno desde março de 2020, quando 65,6% do território paraibano registrou seca moderada e o restante teve seca fraca. Os impactos do fenômeno permanecem de curto e longo prazo na porção central e de curto prazo no restante do estado.

Em Pernambuco, entre fevereiro e março, a área com seca moderada subiu de 54% para 67% nas regiões central e oeste por conta das chuvas abaixo da média nos últimos meses. Além disso, o estado voltou a registrar seca grave em 3% do seu território no sul. Esta é a pior condição do fenômeno desde fevereiro de 2020, quando 36% do estado teve seca grave e cerca de 64% de seca moderada. Os impactos são de curto e longo prazo no sudoeste pernambucano e no nordeste do estado, enquanto nas demais áreas os impactos são de curto prazo.

No Piauí a área livre de seca subiu de 8% para 17% entre fevereiro e março, especialmente no norte piauiense, devido às chuvas acima da média nos últimos meses. No entanto, o fenômeno se agravou no período com o forte aumento da área com seca moderada no estado, que saltou de 22% para 53% no centro-sul em função das chuvas abaixo da média na região. Os impactos continuam de curto e longo prazo (CL) no centro-sul, e de curto prazo (C) nas demais áreas.

Entre fevereiro e março, o Rio Grande do Norte teve um agravamento da seca com o ressurgimento da área com seca grave no sul potiguar, que foi registrada em 14% do estado, devido às chuvas abaixo da média no último trimestre. Esta é a condição mais severa do fenômeno no Rio Grande do Norte desde janeiro de 2020, quando 24% do estado passou por seca grave. Pela mesma razão, aconteceu a expansão da seca moderada no nordeste potiguar. Os impactos permanecem de curto e longo prazo em parte do Seridó e da Borborema e de curto prazo nas demais áreas.

Em março a severidade da seca se manteve estável em Sergipe nos patamares de 13% de seca fraca, 53% de seca moderada e 34% de seca grave, sendo que pequenas variações são desconsideradas no Monitor. Assim como em fevereiro, no último mês o estado seguiu com a maior área com seca grave e a condição mais severa do fenômeno no Nordeste. Os impactos permanecem de curto e longo prazo no centro-oeste sergipano e de curto prazo nas demais áreas do estado.

Em termos de severidade do fenômeno, os três estados do Sul tiveram o abrandamento da seca entre fevereiro e março: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Por outro lado, seis unidades da Federação tiveram agravamento da situação de seca, marcado pelo avanço da seca grave (Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte), pela expansão das áreas com seca moderada (Bahia e Piauí) e pela acentuação da seca no noroeste de São Paulo – único estado a registrar seca excepcional no país, categoria mais intensa na escala do Monitor. Já no DF a situação se manteve sem seca. Veja a seguir a seca por grau de severidade em todos as unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor de Secas.

 

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