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Manejo de machos reprodutores para melhor desempenho das aves

🕔06.dez 2023

A fase de recria de machos reprodutores é de extrema importância para atingir bons resultados de eclosão. E a palavra-chave para este período é uniformidade, baseado em procedimentos e resultados Cobb. Ela é estratégica porque é quando se desenvolve o trato reprodutivo. É o que dizem Gabriel Novaes e Luciano Keske, médicos veterinários da Cobb-Vantress. Para eles, um bom trabalho de manejo neste momento tem impacto positivo ao longo de toda a vida produtiva do animal de maneira que, se houver algum desvio nesta fase, o animal não terá um bom desempenho e essa queda de resultado perdurará por toda a vida do animal.

É por isso que as primeiras 10 semanas são tão importantes, já que elas definem o número de células de Sertoli do galo. Quanto maior este número, maior a capacidade de produção de espermatozoides e o potencial fertilizante do macho. Nesta fase, as atenções devem estar direcionadas em atingir uma boa uniformidade e seguir as orientações do manual, pois, se os machos não chegam preparados da recria, a fase de produção não conseguirá recuperar as perdas, levando a atrasos de desenvolvimento ou até mesmo chegar em uma condição irreversível.

A fisiologia dos machos ajuda a entender melhor este quadro. Para começar, podemos explicar que ela se divide em três fases principais. Nas primeiras 10 semanas acontece a proliferação celular, que é quando o testículo se desenvolve em quantidade de células. Nesta fase, as células de Sertoli e de Leydig se multiplicam e aumentam de quantidade. Isso vale tanto para as células de suporte nutricional e estrutural, quanto para as células germinativas, que vão produzir os espermatozoides. É neste momento, em que o macho reprodutor ganha em quantidade, é quando se determina seu potencial de produção espermática.

A segunda fase, que vai da décima semana até a fase de transferência, é de diferenciação e maturação dessas células que se multiplicaram nas primeiras semanas. As células de suporte perdem o poder de se proliferar. Então, elas vão aumentar de tamanho e em complexidade para dar suporte nutricional, estrutural e hormonal para o início da espermatogênese. E a terceira fase, que vai da transferência até a maturidade sexual, é de aumento de estímulo luminoso, que será percebido pelo cérebro, momento em que ele enviará sinais hormonais para o testículo para a produção de maior quantidade de testosterona, estimular o processo final da espermatogênese e a formação dos primeiros espermatozoides.
Este é o processo que determina a maturidade sexual. Considerando ainda que o processo de monta nas aves é extremamente mecânico, vale ressaltar a importância de o macho ser esguio. O peito deve ter forma de V, com mais carne na parte superior, perto das asas. E não pode ter escore elevado, deve ser de 2,5 a 3,0. Então, entre as características desejáveis de um bom reprodutor, podemos destacar: bom desenvolvimento e boa coloração de crista e barbela; bom desenvolvimento e boa coloração da região cloacal e pericloacal; conformação de peito entre 2,5 e 3,0 de escore e ausência de defeitos musculoesqueléticos, como artrite, pododermatite e deformidades ósseas, entre outras.

Quanto à qualidade do sêmen, o aspecto seminal adequado deve ser branco e viscoso. A concentração espermática pode ter variações, então, usamos apenas a porção branca porque tem uma boa concentração de espermatozoides. Quanto mais aquoso estiver o aspecto seminal, mais diluída é a amostra e, consequentemente, menor é o seu potencial de fertilização. Portanto, a inspeção visual do sêmen é uma ferramenta interessante para determinar de forma rápida e não invasiva o potencial fertilizante do macho reprodutor.

A primeira consequência de uma queda da qualidade seminal é uma queda de eclosão, pois o número de penetrações no oócito necessárias para que ocorra um correto desenvolvimento embrionário inicial é significativamente maior do que a quantidade de penetrações mínimas para que ocorra a fertilização. Mas, podemos contornar os efeitos da idade sobre a performance reprodutiva com alternativas como controle de peso e escore de peito, uso de aditivos fitoterápicos, suplementação de antioxidantes, como vitaminas, ácidos graxos e aminoácidos, entre outros, além de manejo de spiking e inseminação artificial. É o que concluem os dois especialistas em Reprodução Animal da Cobb-Vantress.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE