Já existe no Brasil o algodão transgênico de fibra longa
A primeira cultivar de algodão transgênico de fibra longa para o plantio no Brasil foi desenvolvido pelos Pesquisadores da Embrapa e Fundação Bahia. As novas sementes são a BRS 433 e FL B2RF. O novo material possui comprimento de fibra superior a 32,5 mm, e elevada resistência, com registro acima de 34 gf/tex, características consideradas ideais pela indústria têxtil para a fabricação de tecidos finos destinados à fabricação de roupas.
O comprimento médio das fibras atualmente disponíveis no mercado é em torno de 30 milímetros. Hoje o Brasil importa fibras longas para misturar com fibras médias e produzir um fio de melhor qualidade. A nova cultivar pode ajudar a suprir a demanda interna por fibra longa.
A cultivar tem porte médio e ciclo longo, portanto é indicada para a abertura do plantio nos cerrados da Bahia e demais estados do Matopiba , ou seja, Maranhão, Piauí e Tocantins, além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Também é recomendada para o cultivo em condições irrigadas do semiárido do Nordeste. O potencial produtivo é superior a 4.500 quilos (300 arrobas) de algodão em caroço por hectare com rendimento de fibra em torno de 38%.
“Atualmente o Brasil não produz algodão transgênico com esta qualidade de fibra e, por isso, a nova cultivar representa uma oportunidade para atender essa demanda. A maior parte da fibra de qualidade superior é importada de países como o Egito, Estados Unidos e Peru”, avalia o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Algodão (PB), pesquisador João Henrique Zonta.
O pesquisador orienta que em lavouras de algodão geneticamente modificado para resistência a insetos (Bt) é recomendado cultivar 20% da área com cultivares não Bt, como é o caso das cultivares BRS RF, também desenvolvidas pela Embrapa e Fundação Bahia. “Essa área é chamada de refúgio e tem por objetivo evitar a multiplicação de insetos resistentes e consequentemente a perda da tecnologia”, explica Zonta.

