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Indústria de biscoitos já pode substituir o trigo pela farinha de triticale

0 Comments 🕔17.out 2026

Análises de qualidade industrial do triticale realizadas em 2026 permitem recomendar a adoção do cereal na composição de produtos destinados à alimentação humana. Testes de panificação e confeitaria realizados pela empresa Vilma Alimentos (MG), parceira a Embrapa Trigo (RS), indicam a viabilidade de substituição da farinha de trigo pela farinha de triticale na composição principalmente de biscoitos.

“Avaliamos a aplicação da farinha de triticale em 11 produtos. Os testes mostraram que é possível utilizá-la em seis deles, sendo que em dois foi possível substituir totalmente a farinha de trigo pela farinha de triticale sem perder qualidade”, conta Sérgio Gonçalves, diretor técnico da Vilma Alimentos.

A substituição total pode ser feita em dois tipos de biscoitos, e a parcial, na fabricação de wafers, bolos, pizzas e biscoitos de maisena. Segundo a pesquisadora da Embrapa Trigo, Jane Machado, um dos principais mercados para o triticale no Cerrado deve ser a indústria de biscoitos porque “o triticale garante a crocância e a firmeza dos biscoitos, permitindo eliminar o uso de aditivos químicos para atingir esses atributos”. Ela também destaca que os grãos de triticale, inteiros ou moídos, podem ser utilizados em cereais matinais e produtos dietéticos.

Na produção de biscoitos moldados, a substituição pode chegar a 100%, mantendo boa expansão e atributos similares ao padrão elaborado somente com farinha de trigo. Na panificação, a mistura indicada ficou em 50% de trigo e 50% de triticale, limitada à fabricação de pães de baixo crescimento. E no caso de biscoitos laminados doces (conhecidos no mercado como biscoito de maisena), os testes mostraram que é possível substituir até 30% da farinha de trigo por triticale, mantendo o padrão de textura, cor e sabor característicos dos produtos.

A destinação de triticale para a alimentação humana ganhou impulso nos últimos anos, fomentada pelo marketing dos alimentos funcionais, com os grãos destinados à indústria de alimentos integrais, como pães e biscoitos.

O cultivo deste cereal no Cerrado ainda não aparece nas estatísticas oficiais, mas esta realidade  pode mudar nos próximos anos com a adaptação de novas cultivares pela pesquisa e o interesse da indústria de alimentos.

O triticale é um cereal de inverno, desenvolvido por meio do cruzamento do trigo com o centeio por melhoramento genético. O resultado foi a criação de uma planta com a qualidade do trigo e a rusticidade do centeio. Ele começou a chegar às lavouras brasileiras na década de 1980, em razão dos primeiros trabalhos da Embrapa Trigo na adaptação das cultivares trazidas do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (Cimmyt), com sede no México. Desde então, a cultura tem sido utilizada principalmente na Região Sul, como forragem na produção agropecuária ou como ração de suínos e aves.

 

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