Hoje se comemora o Dia Mundial do Solo
A data foi escolhida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O propósito, é, principalmente, alertar o mundo para a necessidade de se cuidar e conservar o solo como fonte de uso para a sobrevivência humana. É um momento para refletirmos sobre uma preocupação crescente diante dos efeitos da degradação das terras, que já chega a 32% no mundo, conforme dados da própria instituição, cujas causas estão diretamente ligadas ao desmatamento, às queimadas e às ações do homem.
Para a FAO o solo é essencial para proporcionar alimentos, conservar a biodiversidade, reduzir o impacto das mudanças climáticas, criar agroenergia, sustentar construções, proteger águas subterrâneas e superficiais, entre outras funções. “O solo não tem sido adequadamente cuidado”, aponta o coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Guilherme Karam. “Segundo a ONU, a cada cinco segundos, o mundo perde uma quantidade de solo equivalente a um campo de futebol”, conta.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o manejo inadequado do solo reduz em até 8% ao ano o Produto Interno Bruto (PIB) nos países em desenvolvimento. Anualmente, o planeta perde 24 bilhões de toneladas de solo fértil. No Brasil, devido ao uso inadequado, seja pela agricultura convencional ou pela ocupação urbana, muitas áreas estão degradadas, apresentando um solo de menor qualidade, o que amplia a quantidade de sedimentos e poluentes nos corpos hídricos das bacias hidrográficas, criando entraves para o abastecimento de água nas cidades e elevando os custos para o seu tratamento.
Para tentar barrar essa degradação progressiva, algumas “Iniciativas-modelo” vêm sendo testadas com a proposta de buscar soluções. Uma delas é o movimento Viva Água, idealizado pela Fundação Grupo Boticário e que conta com o envolvimento de diversas instituições. O objetivo é aumentar a segurança hídrica da Região Metropolitana de Curitiba (PR) por meio da conservação e recuperação de ecossistemas, além da implantação de boas práticas de uso do solo nas atividades agrícolas realizadas por produtores rurais da bacia hidrográfica do Rio Miringuava, localizada no município de São José dos Pinhais (PR).
Uma das ações da iniciativa é recuperar a vegetação nativa em áreas estratégicas em parceria com agricultores da região. Com isso, a vegetação aumenta a resiliência do solo e funciona como uma esponja, que absorve a água da chuva e alimenta os rios gradualmente. Outro aspecto importante é que o solo protegido por vegetação natural ou por boas práticas agrícolas não é levado para os rios, evitando a presença de sedimentos na água e o seu assoreamento. Consequentemente, as estações de tratamento de água gastam menos tempo e recursos para disponibilizar água tratada para o consumo da população.
Para o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Rocha, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), é importante que se tenha conhecimento sobre o que é e o que representa o solo para a humanidade. O engenheiro explica que o solo é a fina camada que reveste o planeta. Originado das rochas, se forma após séculos de chuva, vento e erosão. Seus diferentes tipos resultam da rocha de origem e dos processos de deterioração que elas sofrem. “Sua composição é 45% de minerais, que é a degradação da rocha; 25% de água; 25% de ar e 5% de matéria orgânica, ou seja, o tecido animal e vegetal morto, acumulado durante séculos e que dá vida ao solo”, explica Rocha, que é professor adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa, do Paraná.

