Estudo em carcaças de aves pode resultar em produção de diesel verde
É uma pesquisa inédita que a Embrapa Agroenergia, em parceria com a empresa Haka Bioprocessos, sediada em Catanduva (SP), inicia neste mês de outubro. O trabalho poderá resultar em um diesel verde obtido a partir da hidrogenação do bio-óleo de resíduos ósseos de aves. A pesquisadora da Embrapa Itânia Soares, líder da pesquisa, conta que o objetivo do projeto, cuja duração é de dois anos, é chegar a uma composição próxima à do diesel petróleo, a partir da agregação de valor a um tipo de matéria-prima que usualmente não é utilizada na produção de diesel renovável.
“Utilizaremos o processo de hidrogenação para gerar hidrocarbonetos parafínicos com propriedades similares ao diesel de fonte fóssil e que se diferenciam do biodiesel, que é uma mistura de ésteres de ácidos graxos, por apresentarem maior estabilidade e maior poder calorífico”, explica Itânia. Além dela, fazem parte da equipe os pesquisadores Rossano Gambetta, Leonardo Valadares, Dasciana Rodrigues e Diogo Nakai, todos da Embrapa Agroenergia.
O processo de hidrogenação é semelhante ao que a Embrapa Agroenergia já fez com o óleo de palma, conhecido por sua elevada acidez. A caracterização final do produto incluirá a análise da composição química e também das suas características físico-químicas, tais como poder calorífico, densidade e viscosidade. “Achamos o projeto bastante visionário por parte da empresa, que pretende agregar valor a um resíduo que já produz e encontrar uma nova solução verde e sustentável para a matriz energética brasileira”, afirma Itânia.
O diesel verde ou diesel renovável, definido como combustível renovável para motores a combustão de ciclo diesel produzido a partir de matérias-primas renováveis, ainda não faz parte da matriz energética brasileira. “Com a produção de diesel verde a partir de ossos, estaremos inserindo a cadeia de proteína animal como importante agente na transição energética para uma economia de baixo carbono, oferecendo combustíveis e insumos renováveis para a agricultura e promovendo a economia circular para a descarbonização das suas atividades”, afirma o fundador e CEO da Haka Bioprocessos, Cyro Calixto.

