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Depois de dois anos sem safra, o cacau nativo volta a oferecer nova colheita para os agricultores do Acre

🕔29.abr 2025

A conquista renovada aconteceu na Comunidades de Sena Madureira, no Acre que retomam a colheita e o beneficiamento do cacau nativo, interrompidos por enchentes em 2022 e seca em 2023. A produção, inclui áreas restauradas e beneficia 315 famílias em cinco Unidades de Conservação no Acre e em Rondônia, um marco de resiliência socioambiental na Amazônia.

Após dois anos sem colheita, comunidade extrativista da Reserva Chico Mendes volta a produzir cacau nativo com apoio da SOS Amazônia e do fundo LIRA/IPÊ. Primeiros frutos das áreas restauradas começam a ser colhidos. Depois de dois anos seguidos sem safra,  famílias extrativistas da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Sena Madureira (AC), voltaram a colher e beneficiar o cacau silvestre da Amazônia. A retomada da produção em 2025 marca também a chegada dos primeiros frutos plantados em áreas de floresta restaurada — um sinal de resiliência ecológica e comunitária.

O cacau silvestre é um fruto nativo da Amazônia, encontrado em áreas de várzea e valorizado por seu aroma e sabor únicos. Suas amêndoas são fermentadas e secas artesanalmente pelas comunidades e vendidas a empresas que reconhecem o valor da floresta em pé e do trabalho tradicional. Uma dessas parceiras é a Luisa Abram Chocolates, que disponibilizou um técnico para acompanhar e orientar as etapas de quebra, fermentação e beneficiamento.

“A gente sabia que o cacau estava lá, mas a floresta precisava de tempo. Quando vi que os frutos tinham voltado, fui atrás, mobilizei os vizinhos e pedi apoio para retomar tudo de novo. Inclusive, o técnico da Luisa Abram veio dar um curso na comunidade para nos ensinar a fermentar corretamente cada lote de amêndoas. Agora está acontecendo de verdade. Meu plano é continuar todo ano. Quem quiser parcerias ou quiser vir conhecer nossa área, nosso portão está aberto, porque eu não vou desistir desse projeto”, conta Seu Caru, liderança da AMOPRESEMA (Associação dos Moradores e Produtores da Reserva Chico Mendes).

Além dos frutos que crescem espontaneamente na floresta, parte da colheita de 2024 vem de sistemas agroflorestais implantados há quatro anos com mudas de cacau nativo e outras espécies, como banana, açaí e castanheira. As áreas foram restauradas com apoio técnico e fazem parte de uma estratégia de longo prazo para conciliar recuperação ambiental e renda local. “A floresta respondeu. E o mais importante é que a comunidade também respondeu — com conhecimento, com vontade, com organização. Essa safra é pequena, mas cheia de significado”, afirma Adair Duarte, gerente do Programa de Restauração da Paisagem Florestal da SOS Amazônia.

 

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