Cuidados e problemas para fazer um confinamento rentável
“Os problemas no confinamento não são os carrapatos ou as moscas dos chifres. O principal ponto de atenção está na heterogeneidade dos animais, que chegam com diferentes históricos sanitários e maior predisposição a doenças como pneumonias, clostridioses e dificuldades de adaptação ao cocho”, explica Ingo Mello, médico-veterinário da Ourofino Saúde Animal. Agora é o período de entrada de novos lotes a partir deste mês de abril — período que marca o início dos ciclos de terminação em diversas regiões do país —, o desafio dos pecuaristas passa a ser garantir previsibilidade em sistemas cada vez mais intensivos e sensíveis a variações de desempenho.
De fato, o ambiente de confinamento é pouco favorável à permanência de ectoparasitas. Mesmo quando os animais chegam infestados, carrapatos tendem a cair entre 7 e 21 dias e não há reinfestação, já que o ciclo não se sustenta na cama do confinamento. “Isso acontece porque o ambiente inviabiliza a fase de vida livre do parasita”, explica Ingo. Por isso a padronização sanitária na entrada é o principal fator de previsibilidade no confinamento. Por outro lado, a verminose continua sendo um fator relevante, especialmente nas primeiras semanas. Animais parasitados apresentam menor desempenho inicial, maior variabilidade no lote e atraso na adaptação.
“Como a verminose impacta principalmente os primeiros 30 a 40 dias do confinamento, o protocolo de entrada, no momento do processamento, é decisivo. É quando se corrige e padroniza o status sanitário dos animais, garantindo que estejam aptos a expressar seu potencial produtivo”, afirma Ingo. Nesse contexto, a vermifugação estratégica no processamento ganha protagonismo. O uso de endectocidas de amplo espectro, como o Evol, que combina dois princípios ativos com mecanismos de ação distintos, associado a estratégias que reduzem o risco de resistência, contribui para eliminar rapidamente os parasitas e reduzir a variabilidade entre os animais.
Outro fator crítico no confinamento é o estresse, que atua como gatilho para queda de desempenho, aumento da morbidade e da mortalidade. A mudança de ambiente, dieta e manejo eleva os níveis de cortisol, impactando diretamente o consumo alimentar e a resposta imunológica. “Estratégias que atuem na modulação do cortisol e no estímulo ao consumo são fundamentais para melhorar os resultados dentro do confinamento”, destaca Ingo.
Nesse cenário, tecnologias voltadas ao bem-estar e à adaptação têm ganhado espaço. Soluções como o FerAppease contribuem para a redução do estresse e favorecem o consumo alimentar, a ruminação e a hidratação, refletindo em melhor ganho médio diário e de carcaça. Na prática, isso se traduz em menor tempo para atingir o peso de abate e maior consistência de resultados ao longo do ciclo. O avanço da resistência parasitária também exige atenção. O uso repetitivo de determinadas bases químicas reduz a eficácia dos tratamentos ao longo do tempo, tornando necessário adotar estratégias mais completas e diversificadas no manejo sanitário.
“Mais do que um ambiente de engorda, o confinamento é um sistema de precisão, em que cada detalhe impacta o resultado final. Protocolos sanitários bem estruturados na entrada dos animais são determinantes para garantir eficiência produtiva, reduzir custos e aumentar a competitividade da operação. Quando bem executados, contribuem para maior uniformidade dos lotes, melhor desempenho e previsibilidade econômica ao longo de todo o ciclo”, reforça Ingo.


