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Cuidados com o solo e o meio ambiente para recuperar os riachos

🕔06.Maio 2025

A forma como a terra é usada nas regiões de nascente tem impacto direto sobre a qualidade da água, a biodiversidade e a capacidade dos ecossistemas de manter serviços essenciais. É o que mostra um estudo realizado e publicado recentemente por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente na Bacia do Rio Jaguari, no sul de Minas Gerais — área fundamental para o abastecimento de milhões de pessoas por integrar o Sistema Cantareira.

De acordo com Mariana Silveira Moura e Silva, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, o trabalho analisou três riachos da bacia com diferentes níveis de conservação: Monte Verde, com mais de 90% de vegetação nativa preservada; Toledo, fortemente impactado por pastagens e hortas; e Extrema, que passa por reflorestamento apoiado por programas de pagamento por serviços ambientais. Os resultados revelam uma relação direta entre o estado da vegetação ripária — a mata que protege as margens dos cursos d’água — e a saúde dos ecossistemas aquáticos.

Nos riachos degradados, a pesquisadora explica que foi registrado aumento de fósforo, nitrogênio e outros nutrientes associados ao uso de fertilizantes, além de mudanças na temperatura da água e na composição da fauna bentônica.

“O córrego de Toledo apresentou sinais claros de poluição, com dominância de grupos de organismos resistentes à degradação, como Oligochaeta, Hirudinea e bivalves. Já Monte Verde, o mais bem preservado, destacou-se pela alta diversidade de macroinvertebrados sensíveis à contaminação, como Perlidae, Phylopotamidae e Grossosomatidae”, destacou ela.

A coleta foi realizada ao longo de nove meses, abrangendo estações secas e chuvosas. No total, mais de 39 mil macroinvertebrados foram analisados. A metodologia utilizou métricas simples, como a porcentagem de insetos das ordens Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera (%EPT) — reconhecidas como indicadores de boa qualidade ambiental — e o índice de diversidade de Shannon-Wiener. Esses parâmetros permitiram detectar com clareza os impactos causados pelo uso intensivo do solo.

Além dos resultados ecológicos, a análise estatística dos dados revelou que os fatores ambientais locais, como tipo de vegetação, uso do solo e características do habitat, têm mais peso na determinação da qualidade da água do que as variações sazonais. Ou seja, independentemente da época do ano, as condições de degradação ou preservação do entorno dos riachos foram os principais determinantes da saúde dos ecossistemas.

Um dado preocupante apontado pelo estudo é que os riachos de cabeceira, embora essenciais para o funcionamento das bacias hidrográficas, não estão contemplados nos programas de monitoramento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Essa lacuna pode dificultar a gestão eficiente dos recursos hídricos e colocar em risco o abastecimento de regiões urbanas, como a capital paulista.

Segundo os pesquisadores, restaurar a vegetação ripária e promover práticas agrícolas sustentáveis são ações urgentes para recuperar a integridade ecológica dos riachos e garantir a oferta de água de qualidade. A presença de matas ciliares protege os cursos d’água da entrada de poluentes, regula a temperatura da água, evita o assoreamento e favorece a manutenção de habitats aquáticos complexos e biodiversos.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE