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Criadores de gado precisam modernizar a criação de bezerros para garantir sustentabilidade da pecuária

🕔27.jun 2025

Um estudo desenvolvido pela Embrapa identificou que a criação de bezerros, geralmente ocorre, com baixa adoção de tecnologias. A ausência de infraestrutura adequada nas pequenas propriedades está entre os principais fatores que dificultam a modernização dos sistemas de produção. Entre as potencialidades da atividade, o estudo revelou que 75,4% das propriedades apresentam pastagem com boa qualidade, resultado do investimento em reforma de pastagens com adoção de gramíneas adaptadas à região. O uso dessas tecnologias contribui para garantir pastagens produtivas e duradouras, reduzem custos com novas reformas e evitam a abertura de novas áreas.

o pesquisador Carlos Mauricio Andrade, pondera que no desafio de modernizar a pecuária de cria, o primeiro passo é conhecer a realidade da atividade e o perfil dos produtores e das propriedades. Esse conhecimento é fundamental para identificar onde está a atividade e aonde é possível chegar. “Identificamos demandas tecnológicas que requerem ações de transferência de tecnologias, investimentos em pesquisas estratégicas para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas e políticas públicas para apoiar os criadores e desenvolver esse segmento econômico no estado”, relata. “Como a pecuária bovina é uma atividade com todos os elos totalmente integrados, qualquer intervenção na pecuária de cria gera impactos em toda a cadeia”, frisa o cientista.

O diagnóstico confirmou que a pecuária de cria é menos desenvolvida que os outros elos da cadeia pecuária, embora existam tecnologias disponíveis e de baixo custo para a atividade. A carência tecnológica está relacionada principalmente ao tamanho da fazenda, que define o perfil econômico da propriedade, grau de escolaridade dos produtores e falta de informações para os criadores sobre as tecnologias já disponibilizadas pela pesquisa.

Entre as tecnologias pouco difundidas na pecuária de cria está o consórcio de gramíneas com leguminosas. O amendoim forrageiro, principal leguminosa recomendada para consorciação, lançado pela pesquisa há mais de duas décadas, está presente em apenas 6% das fazendas de cria, apesar do grande potencial da planta para intensificar a produtividade das pastagens.

O estudo também mostrou que os protocolos de controle das principais plantas daninhas das pastagens, recomendados pela pesquisa, não estão bem difundidos entre os produtores. Outra tecnologia ainda pouco conhecida é o plantio direto de forrageiras a lanço, pensado principalmente para pequenos produtores, por possibilitar a reforma de pastagens sem uso de tratores e com menor impacto ambiental. A técnica já é utilizada por grandes e médios pecuaristas, mas é pouco adotada por pequenos produtores, o que indica a necessidade de investimento em ações para a transferência dessa tecnologia.

 

 

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