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Cresce a campanha para proibir o uso de marretas no abate de animais

🕔12.mar 2024

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), existem 353 abatedouros municipais espalhados por todas as regiões do Brasil. Em 2022, foram abatidos mais de 10 mil animais em abatedouros municipais, segundo registros oficiais – bovinos, suínos e frangos –, segundo dados do IBGE. Estima-se, no entanto, que o número real seja muito superior, pois parte expressiva dos abatedouros municipais não são inspecionados de forma regular.

Em estabelecimentos que não recebem fiscalização regular e/ou adequada, o maior prejudicado é o público que consome os produtos de origem animal não inspecionados, o que pode colocar em risco sua saúde. A conscientização dos potenciais malefícios do consumo e manipulação destes alimentos se faz necessária para a sociedade entender e cobrar das autoridades públicas por meio de denúncias e solicitações de fiscalização.

A Mercy For Animals acaba de concluir mais uma investigação em abatedouros municipais onde flagrou o uso de marreta durante o abate de animais, prática considerada irregular no Brasil. Há registros de animais recebendo golpes de marreta, machado, varas de metal e porretes de madeira na cabeça, e tendo seus pescoços cortados enquanto ainda estavam conscientes, além de serem arrastados por cordas e serem manejados de forma truculenta. Condições sanitárias e de trabalho extremamente precárias também foram documentadas, evidenciando a gravidade das violações cometidas nestes estabelecimentos. O material foi entregue ao Ministério Público.

Além das denúncias aos Ministérios Públicos Estaduais e Federal, a Mercy For Animals está mobilizando o apoio popular por meio de uma petição online para pedir pela aprovação do Projeto de Lei 49/2019, que visa proibir o abate com marretas em todo o território nacional. Para a organização, uma lei federal é fundamental para garantir que tais práticas terríveis sejam erradicadas e que os direitos dos animais sejam respeitados em todo o país.

“A proibição do uso da marreta é estabelecida hoje por regulamentação ministerial. Elevar essa proibição à condição de lei federal representa um avanço para a redução do extremo sofrimento dos animais. Além disso, sinaliza para a indústria da carne que a população exige que regras assim sejam cumpridas” afirma a diretora executiva.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE