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Capins tropicais podem ser usados para fazer silo e alimentar o gado na seca

🕔13.dez 2024

Estudos sobre comportamento de capins tropicais para produção de silagem apontam a prática como opção estratégica para reserva de alimento em épocas de estiagem, que podem se tornar mais severas. Trabalhos da Universidade Federal Rural da Amazônia, campus Belém, em parceria com a Embrapa Gado de Corte, mostram como diversas cultivares e manejos impactam a qualidade fermentativa da silagem de capins tropicais.

A ensilagem de capins tropicais tem se mostrado valiosa por preservar o excedente de volumoso e por ser uma cultura de fácil manejo e menor risco, em comparação a outras culturas utilizadas para produção de silagem. “O capim tem flexibilidade de uso já que com o mesmo pasto pode se fazer a silagem e o pastejo. Em cada lugar é preciso uma validação das melhores práticas, inclusive considerando diferenças importantes dentro das regiões de varias regiões, inclusive na Amazônia”, explica o professor adjunto de Forragicultura e Pastagens da Universidade Federal Rural da Amazônia, campus Belém, Dr. Thiago Carvalho da Silva.

Silva, cuja linha de pesquisa é justamente a silagem de capins tropicais, tem conduzido e orientado diversos estudos com o principal objetivo de caracterizar diferentes cultivares em situações diferentes de manejo, analisando aspectos do comportamento na fermentação e qualidade nutricional.

Em estudo inédito realizado na Fazenda Escola de Igarapé-Açú, pertencente à UFRA a cerca de 120 quilômetros de Belém, foi possível estudar indicadores fermentativos, nutricionais e digestivos de sete cultivares dos gêneros Megathyrsus (Syn. Panicum) e Uroclhoa (Syn. Brachiaria). Os capins foram cultivados em 84 parcelas de 12 m2 e cortados a 30, 60 e 90 dias durante o período chuvoso de dois anos. O estudo analisou o pH das silagens de todas as cultivares e as populações microbianas em cada tempo de abertura do silo em 5, 30 e 60 dias.

No estudo, a Brachiaria híbrida Mavuno se destacou pela produtividade em massa seca dentre as cultivares avaliadas. Também, o Mavuno chamou a atenção na queda mais rápida do pH. “Na abertura de cinco dias, o Mavuno já tinha pH em torno de 4,8, o que costuma ocorrer com os capins tropicais aos 30 dias após a ensilagem,” explica Silva.

O especialista lembra que quanto mais rápida a queda do pH, mais eficiente é o processo de conservação da forragem. Ele explica também que a queda brusca do pH pode relacionada com mais presença de carboidratos solúveis na composição do capim, aspecto que será aprofundado em novas análises.

“Estamos sempre à disposição para apoiar estudos que tragam mais produtividade para a pecuária brasileira. As pesquisas que acompanhamos em silagem, fenação e vedação de pastagem mostram o potencial de nutricional da conservação de pastagem para se produzir mais na mesma área. Isso traz rentabilidade e sustentabilidade ao produtor, “, avalia Edson de Castro Junior, coordenador técnico da Wolf Sementes, empresa que desenvolveu o híbrido Mavuno.

 

 

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