Cana de açúcar irrigada e adubada tem maior produtividade no Cerrado
As pesquisas em irrigação da cana-de-açúcar, com experimentos na Embrapa Cerrados e nas usinas parceiras, mostram o grande potencial da prática para aumentar a produtividade da cultura no Cerrado. Com a irrigação, a cana-planta atinge produtividade de colmos de até 255 t/ha e a primeira soca até 220 t/ha para as melhores variedades – índices muito superiores à média da região Centro-Sul do País, normalmente inferior a 80 t/ha. Em produtividade de açúcar, o sistema irrigado tem atingido 38 t/ha na cana planta e 31 t/ha na cana soca, enquanto a região Centro-Sul produz em média 12 t/ha. Com esses níveis de produtividade da cana irrigada, os investimentos em irrigação são pagos já no primeiro ou segundo cortes.
No caso da adubação em áreas sob pastagem e áreas de primeira reforma, cujos solos têm baixa disponibilidade de fósforo, a adubação fosfatada corretiva a lanço com incorporação, em complemento à tradicional adubação no sulco de plantio, mostrou aumentos na produtividade de colmos de até 18 t/ha por corte para a cana-planta e socas, além de aumentos proporcionais na produtividade de açúcares. Os resultados permitirão a geração de recomendações para o manejo da adubação fosfatada.
Outros experimentos desenvolvidos pelos pesquisadores da Embrapa, demonstraram a possibilidade de substituição total da adubação fosfatada no sulco de plantio pela adubação a lanço com incorporação, prática que propiciou maiores produtividades em experimentos na Embrapa Cerrados em solo argiloso e em solo de textura média.
Os pesquisadores Thomaz Rein, líder dos estudos na Unidade, e Djalma Martinhão ressaltam que as práticas de adubação fosfatada corretiva e de manutenção ainda são pouco usadas na região. Já experimentos de correção da acidez superficial e subsuperficial do solo comprovaram que a cana-de-açúcar tem elevada tolerância à acidez. Os ganhos de produtividade observados em resposta à calagem e ao gesso foram inferiores em relação aos verificados para culturas anuais nos mesmos solos.
Segundo o pesquisador Vinicius Bufon, a irrigação também promove a verticalização da produção de palhada da cana, cada vez mais importante para a receita das usinas. O sistema de produção irrigado produz, em média, três vezes mais palhada que o sistema utilizado atualmente. “A produtividade aumenta significativamente até regimes hídricos entre 50% e 70% do atendimento da evapotranspiração potencial da cultura para a maioria das variedades avaliadas. Isso indica que a maioria dos sistemas de irrigação instalados nas usinas está subdimensionado para atingir a máxima produtividade”, afirma.
Bufon ressalta que, além de aumentar a produtividade, o sistema de produção irrigado de cana permite atingir eficiência de uso da água maior que o do sistema de sequeiro, ou seja, produzir mais cana e açúcar consumindo menos água. Enquanto um sistema de sequeiro produz em torno de 7 kg de cana e 1,4 kg de açúcar para cada metro cúbico de água que consome, o sistema irrigado pode produzir até 40 kg de cana e 3,1 kg de açúcar com a mesma quantidade de água. O pesquisador destaca o potencial do sistema de produção para, onde houver água disponível, poupar os recursos hídricos do País, o que representa um diferencial de sustentabilidade.
