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Aumenta a incidência da praga de greening nas plantações de citrus em São Paulo e Minas Gerais

🕔10.set 2024

O crescimento do ataque a praga foi de 44% e vem ocorrendo no cinturão citrícola do estado de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. Esse aumento está relacionado ao maior registro histórico de captura de psilídeos em 2023, porém a evolução da doença é menor que ano passado; medidas eficazes de manejo não podem ser interrompidas pelo citricultor.  O levantamento anual da incidência de greening (huanglongbing/HLB), produzido pelo Fundecitrus, indica que a doença subiu de 38,06% em 2023, para 44,35% em 2024 em todo ocinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro.

Este é o sétimo ano consecutivo de crescimento da pior doença da citricultura mundial. A incidência corresponde a aproximadamente 90,36 milhões de árvores afetadas. No total, são 203,74 milhões de laranjeiras em todo o parque citrícola. O avanço da doença é reflexo do maior registro histórico populacional do inseto que transmite a doença ocorrida ainda em 2023, quando a média de captura por armadilha aumentou 54% em relação a 2022.

Por outro lado, mesmo com a alta, o incremento de 6,29 pontos percentuais na incidência neste ano foi significativamente menor do que o aumento de 13,66 pontos de 2022 para 2023. De acordo com o levantamento, isso é um bom indicativo de desaceleração da velocidade de evolução da doença, mas o cenário ainda é de preocupação e continua exigindo dos citricultores a adoção de medidas eficazes para a mitigação da doença nos pomares, principalmente com o controle adequado do psilídeo e eliminação de plantas doentes. “O avanço do greening é uma realidade no nosso parque citrícola há sete anos. Isso não mudou! Os citricultores e profissionais do setor, que estão no dia a dia do pomar, precisam dar sequência ao trabalho que vem sendo feito para a mitigação da doença e o controle eficaz do psilídeo. Nessa batalha contra a pior doença da citricultura, não há espaço para relaxamento. Todas as diretrizes oferecidas pelo Fundecitrus devem continuar sendo implementadas em todo o cinturão”, diz o gerente-geral do Fundecitrus, Juliano Ayres.

Um dos possíveis fatores relacionados à desaceleração da velocidade de evolução da doença, de um ano para outro, é que em boa parte do segundo semestre de 2023 e início de 2024, astemperaturas foram mais altas do que o normal em todo o cinturão citrícola. Nas regiões Norte e Noroeste, onde a doença estava em baixa incidência em 2023, foi registrado um número maior de dias nos quais as temperaturas máximas foram superiores a 35 °C.

Para o pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi, isso pode ter desfavorecido a ocorrência de novas infecções. “Embora essas ondas de calor não tenham sido suficientes para baixar a população de psilídeos, elas podem ter acelerado o crescimento dos brotos e afetado a multiplicação da bactéria neles, interferindo negativamente na aquisição e transmissão da bactéria pelo psilídeo”, explica.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE