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As plantações de laranja no cinturão citrícola brasileiro abrigam mais de 300 espécies da fauna silvestre

🕔08.Maio 2024

]No cinturão citrícola brasileiro, que compreende o estado de São Paulo e parte de Minas Gerais (sudoeste e Triângulo Mineiro), foram encontrados, principalmente, aves e mamíferos circulando ou vivendo em ambientes de produção de cinco fazendas produtoras de laranja, foram cadastradas mais de 300 espécies. O trabalho de investigação científica estimou também cerca de 36 milhões de toneladas de carbono “aprisionadas” nas laranjeiras, no solo e nas áreas de vegetação nativa. A pesquisa foi desenvolvida em parceria entre a Embrapa e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

Os resultados do levantamento da fauna, com a relação das espécies identificadas, serão divulgados em 10 de maio, durante o lançamento da Pesquisa de Estimativa Safra de Laranja 2024/2025. O evento acontece na sede do Fundecitrus, em Araraquara, SP, a partir das 10 horas, com transmissão ao vivo pelo canal da instituição no Youtube.
“Estamos comemorando 10 anos da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES) e felizes em apresentar o resultado do trabalho, realizado em parceria com a Embrapa, sobre a preservação da fauna na citricultura. Hoje, os estímulos às boas práticas agrícolas, o manejo sustentável e a manutenção da cadeia produtiva de citros, com a preservação dos recursos naturais, são práticas essenciais e indispensáveis, não apenas para a fauna, mas ao ecossistema como um todo, favorecendo esta e as próximas gerações. O estudo desmitifica a relação da citricultura e o desmatamento e mostra como fauna e flora caminham juntas”, afirma Antonio Juliano Ayres, gerente-geral do Fundecitrus.

“O trabalho demonstra que existe uma grande riqueza de animais vertebrados silvestres convivendo dentro das propriedades citrícolas. Podemos dizer que a citricultura está promovendo biodiversidade de fauna e convivendo muito bem com ela”, adianta o pesquisador José Roberto Miranda, da Embrapa Territorial (SP). “A fauna silvestre pode explorar muitas coisas dentro de um sistema agrícola, em especial em um sistema arbóreo, como é o da citricultura, que oferece locais para construir ninhos. Além disso, várias espécies se alimentam de laranjas, sem que isso se torne um prejuízo para o agricultor”, complementa. O pesquisador pontua ainda que muitos insetos, inclusive os transmissores de doenças para a citricultura, são capturados por aves.

“O avistamento de animais silvestres dentro dos pomares de laranja tem sido cada vez mais frequente”, testemunha o coordenador da PES/Fundecitrus, Vinícius Trombin. Além do ambiente favorável criado pelos pomares, ele credita a presença da fauna às áreas de vegetação nativa nas propriedades. São quase 160 mil hectares dedicados a esse fim nas propriedades citrícolas, de acordo com levantamento do Fundecitrus, com base nos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e em metodologia da Embrapa Territorial.

Além de abrigar a fauna silvestre, o território de 560 mil hectares do cinturão citrícola guarda cerca de 36 milhões de toneladas de carbono “aprisionadas” nas laranjeiras, no solo e nas áreas de vegetação nativa. Esses dados também são resultado do trabalho de pesquisa feito pela Embrapa e o Fundecitrus.

Para calcular os estoques de carbono nas áreas de produção, os pesquisadores foram a campo, em três fazendas, e avaliaram 80 laranjeiras, das variedades Pera e Valência, com idade a partir de três anos. Elas foram medidas e depois separadas em partes: tronco, galhos, folhas e raízes. Cada parte foi pesada em campo, fresca, e, posteriormente, enviada ao laboratório para secagem e nova pesagem. No laboratório, as amostras foram analisadas para determinar a quantidade de carbono na biomassa.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE