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Artigo: Os riscos e os cuidados que o avicultor deve ter para controlar a Doença de Gumboro

🕔17.ago 2021

Por:

Felipe Pelicioni*

A Doença de Gumboro, ou Doença Infecciosa da Bursa (DIB), é uma enfermidade viral que acomete a avicultura mundial desde a década de 60, e no Brasil se tornou mais evidente no dia a dia da produção no final dos anos 90 com o aparecimento de cepas muito virulentas que posteriormente foram identificadas como pertencente ao Grupo Molecular 11 (G11/ Classificação Jackwood).

O surgimento dessas cepas causou quadros com severas mortalidades em granjas de frango e poedeiras, e em um primeiro momento o controle dessa situação foi muito limitado, pois não estavam disponíveis no Brasil as cepas vacinais conhecidas como “fortes” ou “intermediárias plus”, ou seja, vacinas desenvolvidas com vírus mais invasivos que àqueles usados até o momento (“intermediárias”), que conseguiam superar níveis de anticorpos maternais (ACMs) mais elevados e, por consequência, colonizar a bolsa mais precocemente, impedindo a entrada e replicação do vírus de campo.

Desde então, o controle da enfermidade está sendo, aparentemente efetivo, e nos últimos 15 anos novas vacinas se tornaram disponíveis com a proposta de prevenir a Doença de Gumboro e evitar prejuízos, além de oferecer a conveniência de não precisar vacinar no campo. Todavia, este cenário recente de aparente tranquilidade com o controle de Gumboro novos desafios apareceram e deixamos de nos preocupar com essa enfermidade causadora de enormes prejuízos.

A avicultura industrial demanda trabalharmos com a máxima eficiência em todas as atividades relacionadas à produção. No cenário atual, com a elevada pressão nos custos da matéria-prima, precisamos garantir sucesso em cada elo da nossa cadeia produtiva, garantindo o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, e traduzindo isso na maior produtividade possível.

A única forma de assegurar o melhor aproveitamento do potencial genético das linhagens atuais se dá pelo desenvolvimento inicial seguro das aves, sem que precisem combater patógenos ou qualquer fator imunossupressor. Por isso o controle da Doença de Gumboro se torna o alicerce capaz de permitir o desenvolvimento de um lote saudável e que tenha condições de atingir sua máxima produtividade.

As fases iniciais do alojamento das poedeiras são o alicerce para a construção de uma vida produtiva longa, saudável e eficiente. Dentro dessa lógica, qualquer atraso no desenvolvimento das aves causado por quadros subclínicos de Gumboro e que normalmente têm como grande reflexo a desuniformidade dos lotes, pode significar prejuízos significativos na vida produtiva das aves.

O custo da DIB foi muito bem descrito em diferentes publicações ao longo dos últimos anos. Isto representa um impacto direto na mortalidade, de 5% a 30%, dependendo do grau de proteção das aves e da forma da doença. Além disso, os prejuízos podem ser ainda maiores quando consideramos os impactos na produtividade de lotes com desenvolvimento desuniformes e, consequentemente, imunossuprimidos.

É necessário construir a produtividade dos lotes, sob um forte alicerce de sanidade. Suportado por eficientes programas vacinais, e no caso da Doença de Gumboro, programas que interrompam o ciclo da doença.

A Doença de Gumboro está sob controle? Nos últimos anos, não têm sido comuns relatos de quadros clínicos da enfermidade. Porém, em diferentes regiões do país é bastante comum situação de doenças recorrentes ou mesmo falhas em programas vacinais, sem que se consiga identificar causas primárias. E coincidentemente, nessas mesmas situações, percebe-se que não existe uma preocupação específica para o controle da Doença de Gumboro. Nem com a vacinação e monitoria.

Essa condição, têm contribuído para o aparecimento de uma série de quadros subclínicos da enfermidade que têm como características principais a desuniformidade inicial dos lotes, atraso no desenvolvimento, recorrência de enfermidades respiratórias, entéricas e o consequente impacto negativo no potencial produtivo dos lotes.

Assim, hoje, consideramos fundamental um adequado programa de monitoria de Gumboro para termos uma ideia clara da situação atual do desafio e da eficiência das estratégias de controle.

Assim, a melhor estratégia para a prevenção é a escolha de um programa vacinal que tenha a capacidade de parar o ciclo de Gumboro, reduzindo assim inclusive o desafio de campo. É fundamental conhecermos o comportamento do agente e a epidemiologia da enfermidade para eleger vacinas que além de estimular a imunidade das aves, tenham a capacidade de colonizar a Bursa de Fabricio de 100% das aves, interrompendo assim a proliferação do desafio de campo.

Um ponto de atenção é a dificuldade de assegurar a adequada vacinação contra Gumboro em lotes de poedeiras. Devido a grande variação dos níveis de Anticorpos Maternais (ACM) contra Gumboro se faz necessário a administração de vacinas em grande quantidade, algumas vacinando os lotes semanalmente, até às 5 ou 6 semanas de idade (vide arte ACM). (Gráfico 1 no link abaixo)

Um programa efetivo de prevenção da Doença de Gumboro deve:

  • Assegurar uma proteção contínua das frangas contra a infecção a nível da granja: Parar o ciclo de Gumboro na área.
  • Prevenir ou reduzir significativamente a quantidade de vírus espalhado no ambiente: Redução de disseminação do ciclo de Gumboro na área.
  • Colonizar a Bursa de Fabricius de 100% das aves. Mesmo com grande variabilidade dos níveis de ACM.
  • Evitar o efeito elevador: Quando a carga viral aumenta ciclo após ciclo.
  • Parar o ciclo de Gumboro de forma que o vírus de campo não sobreviva ao programa de prevenção.

Esses pilares garantem a redução da disseminação do agente de campo, evitando qualquer potencial prejuízo que a doença possa causar.

*É médico-veterinário formando pela Universidade Estadual Paulista, pós-graduação em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e ocupa a posição de Gerente de Marketing Aves de Ciclo Longo da multinacional francesa Ceva Saúde Animal

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE