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Áreas irrigadas do Vale do São Francisco correm risco de hospedar a mosca-da-carambola

🕔28.jul 2017

mosca da carambolaOs pesquisadores identificaram recentemente condições favoráveis para uma potencial adaptação da mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) em dois perímetros irrigados do Vale do Rio São Francisco: Bebedouro, em Petrolina (PE), e Mandacaru, em Juazeiro (BA). Trata-se do primeiro trabalho científico que evidencia a possibilidade de adaptação do inseto fundamentado em fatores climáticos de duas áreas irrigadas nessa região do Semiárido.

O resultado é particularmente valioso porque o Vale do São Francisco abriga importante polo produtor e exportador de frutas. Realizado em parceria entre Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Gestão Territorial, ambas no Estado de São Paulo, e Embrapa Semiárido, em Pernambuco, o estudo recomenda o monitoramento da praga na região.

No Brasil, a mosca-da-carambola foi detectada e restrita somente aos estados de Roraima, Amapá e norte do Pará (divisa com sul do Amapá), onde ações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) são realizadas visando à erradicação e barrando a dispersão para novas áreas. Especialistas da Embrapa, que executam ações dentro do programa do Mapa, já listaram 21 espécies vegetais que podem servir de hospedeiras alternativas para o inseto, incluindo espécies nativas. A preocupação com regiões exportadoras de frutas é grande, pois a presença da praga pode ser utilizada como barreira fitossanitária para países que compram frutas brasileiras.

Como o inseto se estabelece preferencialmente em locais com alta umidade relativa do ar, o clima do Semiárido, com baixas precipitações de chuva e baixas umidades relativas anuais, era considerado uma barreira natural para a praga. No entanto, o estudo revelou que, apesar das baixas pluviosidades, o uso de irrigação por aspersão convencional e microaspersão gera condições climáticas propícias para a adaptação do inseto.

Com isso, a pesquisa evidenciou que a influência da irrigação no microclima pode criar condições para que uma região passe de pouco favorável para adequada ao potencial estabelecimento de uma praga. As alterações no microclima também podem interferir nas ações de controle, por isso os pesquisadores recomendam que elas sejam consideradas nas estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Para a pesquisadora, os indicativos sinalizam a necessidade de se redobrar a atenção e as ações preventivas em possíveis áreas de risco, com presença de novos hospedeiros, fora das áreas já priorizadas pelas ações de monitoramento em curso. “Nesse caso, a dispersão do inseto poderia ser favorecida, se não corretamente identificado nessa nova gama de plantas hospedeiras nativas”, alerta.

 

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE