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Agricultura brasileira é mais digitalizada do que a Americana e a Pandemia vai ampliar as oportunidades de digitalização

🕔01.jul 2020

agricultura digitalMais digitalizada do que a dos Estados Unidos, a agricultura brasileira está preparada para se adaptar ao novo modelo de economia, chamado por especialistas de baixo contato (low touch economy). Essa é a opinião do diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Guy de Capdeville, e do sócio-sênior da McKinsey Consultoria, Nelson Ferreira.

É claro que adaptações serão necessárias, como disse Capdeville, já que ninguém estava preparado para os efeitos do novo Coronavírus, mas a Embrapa há muito já investe em tecnologias de automação e conexão no campo. A chamada agricultura 4.0 já era uma das prioridades na programação de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Empresa, mas com a pandemia, com certeza, vai crescer ainda mais para atender às demandas do setor produtivo.

O diretor de P&D destaca como uma das prioridades o desenvolvimento de tecnologias para reduzir o contato físico, especialmente na produção animal, visando diminuir os riscos de transmissão de doenças. Já é comprovado que as gripes suínas e aviárias são capazes de contaminar seres humanos. “Então, um dos nossos focos será investir em tecnologias automatizadas que evitem esse contato”, complementa.

O sócio-sênior da McKinsey Consultoria falou sobre o estudo realizado pela empresa com mais de 750 agricultores de sete culturas diferentes em 11 estados brasileiros antes da pandemia, nos meses de janeiro e fevereiro. A pesquisa mostrou que o nível de digitalização brasileira é maior do que a norte-americana e que os nossos produtores são muito receptivos a novas tecnologias. No Brasil, 36% dos agricultores fazem uso de ferramentas online contra 24%.

Segundo Ferreira, isso se deve em grande parte ao perfil jovem dos agricultores brasileiros. Em algumas culturas, como o algodão e grãos do Cerrado, 80% dos tomadores de decisão nas fazendas têm menos de 45 anos. “Com a pandemia, esse apetite por digitalização se escancarou de vez. Abriu de vez a porteira para a digitalização”, comenta

Ele explica que as transações online se tornaram mais habituais no dia a dia dos produtores. A experiência do Brasil em sites voltados à agricultura ainda não está no patamar de outros setores de e-commerce varejista, como moda, alimentação e eletrônicos, entre outros. Mas, a tendência é que cresçam com a pandemia tanto na compra de insumos, como para obtenção de crédito rural.

 

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