Agreste pernambucano pode se transformar em nova região vinícola no Brasil
Há cerca de três anos, a região do agreste começou a testar mais de dez variedades de uvas europeias, na região de Garanhuns, há 272 km do Recife. Agora já é possível identificar as cultivares que melhor se adaptam às condições de solo e clima do local. Entre elas estão três brancas: Muscat Petit Grain, Sauvignon Blanc e Viognier; e três tintas: Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah.
As uvas das variedades selecionadas foram cultivadas e colhidas no Campo Experimental do IPA, em Brejão, na microrregião de Garanhuns. Depois, foram levadas para vinificação no Laboratório de Enologia da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), utilizando o método tradicional para vinhos jovens e em escala experimental.
De acordo com a pesquisadora responsável pela vinificação, Aline Telles Biasoto Marques, os resultados mostraram que os vinhos elaborados a partir das uvas da região possuem potencial para a produção em escala comercial. “Eles se enquadraram dentro dos limites da legislação brasileira para vinho fino seco em todos os parâmetros avaliados: teor alcóolico, teor de açúcares, acidez total e volátil e dióxido de enxofre total”, afirma.
Com a pesquisa ainda em andamento, a equipe busca agora ajustes no sistema de manejo das videiras. Eles focam aspectos como aumento da produção, práticas de poda e a identificação do momento certo de realizar a colheita, a fim de dispor de frutos com os compostos fenólicos equilibrados na vinificação. “Grande parte da qualidade do vinho depende do manejo das plantas no campo”, explica a pesquisadora da Embrapa Semiárido Patrícia Coelho de Souza Leão, que lidera o projeto.
A primeira degustação dos primeiros vinhos elaborados a partir de uvas colhidas na área experimental deixa o Agreste pernambucano no limiar de se constituir em uma nova região vinícola do País. Apreciadas em um evento que reuniu cerca de 70 pessoas na Chácara Vale das Colinas, em Garanhuns (PE), as garrafas que iam sendo esvaziadas eram, na expressão do bioquímico Milson Maurício de Macedo, um anúncio de “harmonizar” Garanhuns e uma nova possiblidade de desenvolvimento econômico e social.

