A praga que pode destruir até 40% de laranjas depois da colheita
As doenças fúngicas que atacam laranjas após a colheita estão entre as maiores responsáveis por perdas, chegando a comprometer até 40% da produção. Atualmente, o controle desses fungos depende do uso de fungicidas como imazalil e tiabendazol, que têm sido alvo de questionamentos devido ao risco ambiental e à presença de resíduos químicos nos alimentos, além da perda de eficiência no controle dos fungos pelo uso continuado da mesma molécula.
No caso da laranja, uma pesquisa recente revelou que extratos de plantas como orégano, canela casca, alecrim pimenta e manjericão-cravo foram eficazes contra dois fungos responsáveis por prejuízos consideráveis na cadeia produtiva de citrus: Penicillium digitatum, causador do mofo verde, e Geotrichum citri-aurantii, agente da podridão azeda.
“Em testes de laboratório, sete óleos essenciais foram analisados quanto à sua capacidade de inibir o crescimento micelial dos patógenos. Os melhores resultados foram obtidos com os óleos essenciais de canela casca (Cinnamomum cassia), orégano (Origanum vulgare), alecrim pimenta (Lippia sidoides) e manjericão- cravo (Ocimum gratissimum). Entre eles, o óleo de canela casca se destacou por inibir totalmente os dois fungos testados com a menor dose aplicada”, destaca a pesquisadora Adriane da Silva.
Além de testarem os óleos em sua forma integral, os pesquisadores também avaliaram misturas elaboradas a partir dos três principais constituintes químicos de cada óleo. Entre os compostos investigados estavam o cinamaldeído (presente na canela casca), carvacrol (orégano), timol (alecrim pimenta) e eugenol (manjericão-cravo). Quando combinados, esses compostos mostraram um efeito sinérgico, ou seja, o resultado conjunto foi superior à ação individual dos componentes.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial dos óleos essenciais como substitutos naturais aos fungicidas sintéticos, contribuindo não só para a redução das perdas pós-colheita, mas também para a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis. “A aplicação desses compostos naturais pode representar um avanço significativo na conservação de frutas, especialmente em um contexto de crescente demanda por alimentos livres de resíduos químicos”, afirmam os autores.

