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A luta para conservar as áreas nativas com plantio da mangabeira

🕔24.out 2023

A crescente valorização no mercado regional da mangaba, fruta nativa do litoral do Nordeste e Cerrado, contrasta com a avassaladora onda de privatização das áreas remanescentes de mangabeiras, quase extintas em alguns estados do País. Essa situação ocorre devido à pressão exercida pelos proprietários das áreas nativas de mangabeiras que as utilizam, cada vez mais, para o cultivo de coqueiro, cana-de-açúcar e outras atividades agrícolas, assim como para a construção de infra-estruturas turísticas, loteamentos e viveiros de camarão, atividades cuja implantação depende do corte das fruteiras.

A situação ameaça a fonte de renda daquelas populações tradicionais locais, que praticam o extrativismo há séculos e contribuem para a conservação da mangabeira. Segundo Josué Francisco da Silva Júnior, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, em Aracaju, Sergipe, as áreas naturais estão sendo dizimadas e as catadoras de mangaba se vêm diariamente sob a ameaça de perder a fonte que assegura 60% dos seus rendimentos anuais.

O pesquisador diz que a Embrapa vem desenvolvendo junto a comunidades extrativistas, um projeto especial com o intuito de promover a conservação da mangabeira. Desenvolvido junto a comunidades extrativistas em Sergipe, o projeto priorizou a participação, bem como a valorização e o resgate das experiências, saberes, práticas e conhecimentos acumulados pelas catadoras de mangaba do Estado de Sergipe quanto à reprodução e conservação das plantas e também da coleta da fruta. Além disso, esse modelo de metodologia, chamado de capacitação solidária, na qual as catadoras de mangaba, pela primeira vez, se reuniram para trocar experiências e discutir os seus modos de vida enquanto extrativistas, possibilitou às catadoras o direito de falar e expor suas opiniões.

Como parte dos resultados, a participação das catadoras de mangaba nas decisões vêm estabelecendo modelos de gestão desde o processo produtivo (definição de papéis, controle de horas trabalhadas, estocagem de ingredientes, até a distribuição dos lucros). Elas também já manifestam a preocupação em regulamentar a confecção dos produtos, demandando dos órgãos competentes a instalação de unidades de beneficiamento e processamento.

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