A importância de restaurar as matas de ripárias no Cerrado brasileiro
As matas ripárias são formações vegetais que estão sob a influência dos cursos d´água, compreendendo as matas de galeria e as matas ciliares. As primeiras formam galerias em rios de pequeno porte, enquanto as segundas deixam a água exposta a céu aberto em rios de médio e grande porte. Elas atuam na contenção dos processos erosivos ao longo dos rios e servem de refúgio e fonte de alimento para a fauna terrestre e aquática. Essas matas são importantes tanto para a conservação da qualidade da água, quanto para a preservação da biodiversidade aquática e terrestre.
A pesquisadora Lidiamar Barbosa Albuquerque, da Embrapa Cerrados, explica que as principais causas de degradação das matas ripárias são o desmatamento vinculado às ações de agricultores, pecuaristas, mineradores e madeireiros, assim como a expansão das áreas urbanas, a extração de areias nos rios, a instalação de empreendimentos turísticos mal planejados, dentre outras. Esses processos de degradação e fragmentação das formações ripárias, além de desrespeitar a legislação, que torna obrigatória a sua preservação, resultam em vários problemas ambientais e de saúde pública dependendo do grau de degradação.
As matas ciliares funcionam como filtros, retendo defensivos agrícolas, poluentes e sedimentos que seriam transportados para os cursos d’água, afetando diretamente a quantidade e a qualidade da água e consequentemente a fauna aquática e a população humana. A sua degradação, via desmatamento, queimadas e a disposição inadequada de resíduos sólidos como garrafas, latas e papéis, além de poluírem as águas, servem de abrigo para vetores transmissores de doenças. Entretanto, a grande fonte de contaminação em áreas próximas a centros urbanos é por resíduos orgânicos, proveniente dos esgotos domésticos ou industriais.
Mesmo sabendo da importância das matas, muitos produtores ainda possuem uma visão imediatista e cultivam até a beira do rio com o objetivo de aumentar sua renda. “Trata-se de um desenvolvimento não sustentável. E a sustentabilidade tem que ser praticada considerando os aspectos social, ambiental e econômico. Esse tripé precisar estar alinhado”, defende a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Lidiamar Barbosa. “Mas é precisa também haver políticas públicas que apoiem este modelo de desenvolvimento”, ressalta.
Segundo Lidiamar, há propostas diferenciadas de restauração, de acordo com o tipo de bioma. “Não é possível ter um único método, pois existem diferenças substanciais entre os biomas. O comportamento das espécies do Cerrado é muito diferente do comportamento das espécies da Mata Atlântica”, finaliza.
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