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Pesquisa trabalha para conter nematoides do algodoeiro na Bahia

🕔09.abr 2018

nematoide no soloA Bahia é o segundo maior produtor nacional de algodão, com 200 mil hectares de área plantada na última safra, a Bahia tem sofrido perdas de produtividade associadas à presença de nematoides. Esses parasitas atacam as raízes das plantas e prejudicam a absorção de água e nutrientes. Com frequência os produtores não sabem que esses parasitas estão presentes em suas lavouras porque os sintomas da planta afetada se confundem com deficiências nutricionais, compactação ou encharcamento do solo. Estima-se que esses vermes microscópicos do solo causem perdas de 12% da produção à agricultura mundial. O agronegócio nacional contabiliza anualmente prejuízos de cerca de R$ 35 bilhões com o parasita, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN).

O objetivo da pesquisa realizada é quantificar e mapear a ocorrência de espécies desses parasitas associados ao algodoeiro e avaliar as melhores técnicas de manejo para contornar o problema. Nesse levantamento, também serão avaliadas a interação entre as espécies e a densidade populacional com as perdas de produtividade e características do sistema de cultivo, além das características físicas e químicas do solo da região.

Todo o trabalho é desenvolvido pela Embrapa, em parceria com a Fundação Bahia e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), com financiamento do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). O projeto faz um levantamento da ocorrência de nematoides no oeste baiano, que concentra 94% da produção de algodão do estado.

As espécies com maior importância econômica no algodoeiro são: o nematoide de galhas (Meloidogyne incognita), o nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) e o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus). Elas possuem uma ampla gama de hospedeiros, podendo infectar tanto plantas daninhas quanto as culturas utilizadas nos sistemas de sucessão ou rotação de culturas, a exemplo da soja, do milho e do feijão.

O fitopatologista da Embrapa Algodão Fabiano Perina, que coordena a pesquisa, acredita que o conhecimento e a quantificação das espécies de nematoides predominantes é primordial para o planejamento de medidas de manejo. “Apesar da sua importância econômica, pouco se sabia sobre a real dimensão do problema dos nematoides na região oeste da Bahia e, menos ainda, sobre a sua distribuição em áreas produtoras de algodão. A carência dessas informações dificulta o manejo e possibilita a ocorrência de surtos repentinos, uma vez que os sintomas do ataque de nematoides só aparecem quando há altas densidades populacionais, momento em que a produtividade da cultura já foi drasticamente reduzida”, explica.

Na safra 2016-2017, foram realizadas amostragens em 120 mil hectares de áreas com cultivo de algodoeiro comercial no oeste da Bahia, distribuídas em 52 fazendas de oito municípios. A pesquisa segue na safra 2017-2018, com a meta de realizar amostragens em 200 mil hectares até a colheita da safra. Além de amostras nematológicas, em cada talhão estão sendo coletadas amostras para análise de fertilidade, física do solo, fitopatológicas, variabilidade genética e agressividade de certas espécies de nematoides, além de dados sobre o sistema de cultivo (sistema convencional ou plantio direto, irrigado ou sequeiro) e o histórico da área.

 

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