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Especialistas descobrem que soja e algodão podem ser hospedeiros da mosca-branca que ataca o tomateiro

🕔31.mar 2026

Há mais de quatro anos, um grupo de pesquisadores da Embrapa vem realizando um trabalho de monitoramento da mosca-branca em lavouras de tomate. Os resultados preliminares indicam que a soja e algodão, cujos cultivos estão próximos ao tomateiro, servem como hospedeiras da praga e, possivelmente, como fonte de vírus na entressafra desta hortaliça.

Os danos que o inseto causa nesses cultivos, por meio da sucção da seiva, são secundários diante dos prejuízos da ferrugem e do bicudo, principais pragas da soja e do algodão, respectivamente. Contudo, em relação ao tomateiro, a mosca-branca atua como transmissora de begomovírus, que causa uma doença que compromete o desenvolvimento da planta e, por isso, reduz sobremaneira a produtividade.

“A pesquisa busca responder se as plantas que contribuem para a multiplicação da mosca-branca também são suscetíveis ao vírus. Na cultura da soja, por exemplo, os begomovírus não causam grandes problemas, apesar de estarem presentes”, esclarece a pesquisadora Alice Nagata, especialista em virologia, ao pontuar que o manejo em escala macrorregional é indispensável para eficiência no controle do inseto-vetor e para redução da incidência de viroses.

Assim, o manejo da mosca-branca realizado em uma única cultura ou em apenas algumas lavouras não alcança o efeito necessário para manter a população da praga dentro de níveis toleráveis. Por isso, o desafio da pesquisa, e também das políticas públicas, consiste em integrar as cadeias produtivas afetadas pelo inseto para que os prejuízos ocasionados sejam reduzidos a ponto de trazer ganhos para todas as culturas. Nessa conta, além de algodão e soja, é preciso incluir o feijão que, assim como o tomate, é muito suscetível aos vírus transmitidos pela mosca-branca.

De acordo com a pesquisadora, o manejo da praga visando o controle da virose deve ser feito com base em uma visão macro de toda paisagem agrícola. “O agricultor não pode ficar alheio às propriedades vizinhas. Por isso, seria desejável que, em um futuro próximo, houvesse uma associação das cadeias produtivas em prol da sustentabilidade do agroecossistema”, recomenda.

 

 

 

 

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