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Orientações para aumentar a produção de cordeiros numa criação para a produção de carne

🕔15.dez 2016

ovelhas-1Uma das formas de conseguir isso é por meio de mutações genéticas existentes em ovinos, que ampliam a capacidade de ovulações nas fêmeas, interferindo diretamente na prolificidade dos rebanhos. Ou seja, são genes que propiciam um maior número de partos múltiplos nas ovelhas, garantindo a disponibilização de mais cordeiros para a comercialização sem a necessidade de aumentar o número de matrizes. A Embrapa Pecuária Sul vem trabalhando com duas mutações genéticas em rebanhos comerciais: Booroola e Vacaria.

A mutação Booroola foi identificada entre ovinos da raça Merino na Oceania. No começo da década de 1980, a Embrapa Pecuária Sul importou três carneiros da Nova Zelândia portadores do gene para a utilização em pesquisas. Mesmo com resultados positivos, naquele momento a tecnologia não se mostrou viável comercialmente, uma vez que a ovinocultura da região Sul era voltada prioritariamente para a produção de lã. Com a crise no setor de lã e a mudança da matriz da ovinocultura para a produção de carne, a genética, que já estava presente nos rebanhos experimentais, passou a ser uma alternativa para incrementar a rentabilidade na atividade.

Foi o trabalho do pesquisador Carlos Hoff de Souza que permitiu a identificação do gene responsável pelo aumento da prolificidade, facilitando a realização de testes moleculares nos animais portadores. “Antes tínhamos que esperar em torno de três ciclos reprodutivos para avaliar a presença no gene em carneiros. Com a identificação precisa do gene, tornou-se necessário apenas a análise de amostra de sangue”, ressalta o pesquisador. O gene Booroola foi, então, introduzido em rebanhos das raças Corriedale e Texel inicialmente em nove propriedades familiares do estado. “Um dos objetivos foi acompanhar a introdução do gene em pequenos produtores e as adaptações para o manejo de um número maior de cordeiros nascidos”, relata o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul José Carlos Ferrugem Moraes.

A partir da introdução nesses rebanhos iniciais, ovelhas e carneiros Booroola passaram a ser comercializados para outras propriedades, disseminando o gene em rebanhos comerciais do estado. Desde 2014 a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), em parceria com a Embrapa, passou a certificar os carneiros com a genética Booroola, proporcionando mais garantias para produtores que vendem e compram animais com o gene.

No caso da produção de cordeiros, os pesquisadores da Embrapa recomendam a utilização de animais de apenas um sexo com a mutação genética – ou na ovelha ou no carneiro. Isso porque quando tanto o carneiro como a ovelha forem portadores da mutação, haverá a geração de fêmeas homozigotas, com dois alelos iguais, o que as torna estéreis. “Nas avaliações feitas em fêmeas homozigotas foi detectado que elas apresentavam ovários reduzidos, com comprometimento reprodutivo. Por isso, a recomendação básica é usar apenas genitores portadores de mutação Vacaria de um sexo até a obtenção da prolificidade almejada para o sistema de produção”, ressalta Ferrugem.

Para os produtores que desejarem introduzir a mutação Vacaria em seus rebanhos, um dos caminhos é adquirir animais que já foram testados em exames laboratoriais. A Embrapa realizou a genotipagem de 1,6 mil animais Ile de France, quando foi identificada a mutação em cerca de 10% da amostragem, e os dados deste trabalho, com identificação dos animais e também dos produtores, está disponível no site da associação dos criadores da raça.

 

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