Polinização da castanheira em pastagem é possível, revela pesquisa
Uma avaliação de leigo pode oferecer um erro no manejo da castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa, Lecythidaceae), uma das árvores mais exuberantes da Amazônia e de grande importância econômica para pessoas que vivem do extrativismo. O problema é que os observadores agrícolas, acreditam que quando a árvore está isolada na pastagem, não produz frutos porque as abelhas não tem como chegar até a copa da castanheira. Isso porque acredita-se que o inseto depende das outras árvores da floresta para chegar até a copa da castanheira, que geralmente está a mais de 40 metros de altura. No entanto, pesquisas recentes derrubam essa crença. Cientistas descobriram que existem mais de 25 espécies de abelhas nativas de médio a grande porte responsáveis por levar o pólen entre as árvores de castanheira. Além disso, os estudos mostram que as abelhas têm capacidade de voar até a copa das castanheiras isoladas em pastagens.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA), Márcia Maués, que também é coordenadora da rede de pesquisa sobre polinização da castanheira-do-brasil, existem outros gêneros de abelhas que mais se destacam como polinizadores da planta, entre elas: Bombus, Centris, Eulaema, Eufriesea, Epicharis e Xylocopa, sendo Xylocopa frontalis, Eulaema bombiformis, Eulaema mocsaryi, Centris denudans e Bombus transversalis as espécies mais frequentes.
Esses insetos são capazes de voar longas distâncias e entram na flor por meio de movimentos vigorosos das pernas anteriores, acessando tanto o pólen quanto o néctar da flor. Abrir a flor é a tarefa mais difícil, por isso é que se achava que poucas espécies de abelhas eram capazes de realizar a polinização. Alguns autores chegaram a relatar que apenas uma espécie desse inseto teria capacidade de executar a polinização das castanheiras.

