As características da pimenta brasileira e o desempenho no mercado consumidor
O consumo de pimenta fresca ainda é muito baixo, no Brasil. Por isso, as demandas dos agricultores recaem para a produção e oferta de uma matéria-prima de qualidade com foco no processamento industrial”, analisa Cláudia Ribeiro, pesquisadora da Embrapa Hortaliças, ao destacar que 80% dos recursos de pesquisa são alocados no atendimento às demandas da cadeia produtiva, enquanto 20% é investido em novas oportunidades de mercado como as pimentas de diversos formatos, cores, aromas e sabores.
A busca por materiais precoces também tem norteado a pesquisa com pimentas do gênero Capsicum, principalmente em tempos de alterações climáticas que implicam em modificações no calendário de plantio. Assim como as demais espécies da família das solanáceas, como berinjela e tomate, as pimentas precisam de temperatura e umidade, mas não em excesso, para se desenvolver.
Contudo, chuvas no mês de transplantio das mudas adiam o preparo das áreas e comprometem o período da colheita. “Se o agricultor dispõe de um material precoce, fica mais fácil flexibilizar o calendário de plantio para que a primeira colheita não coincida com os períodos chuvosos. Dependendo do planejamento, é possível contar com dois plantios em um único ano”, explica a pesquisadora.
No Brasil, o programa de melhoramento genético de Capsicum, alguns materiais impressionaram e foram amplamente adotados pelos produtores rurais. Esse é o caso da cultivar BRS Sarakura, pimenta do tipo jalapeño que foi desenvolvida em parceria com a empresa Sakura-Nakaya, que responde por mais da metade dos molhos de pimenta comercializados no País.
Dentro do segmento dedo-de-moça, a pimenta BRS Mari ocupa uma fatia importante do mercado. De acordo com a pesquisadora, além de rústica e produtiva, ela apresenta alto grau de picância e, por isso, quando em flocos desidratados, resulta em uma pimenta calabresa de alta qualidade.
Enquanto alguns consumidores têm preferência por frutos ardidos, há aqueles que valorizam o aroma e o sabor, mas dispensam qualquer pungência. “A pimenta BRS Moema, do tipo biquinho, é uma boa opção para esses consumidores, tanto para o consumo fresco quanto para o processamento de conservas e geleias”, diz a pesquisadora. Ela também ressalta que no Brasil, há preferências regionais que devem ser consideradas na hora de a pesquisa disponibilizar novos tipos de pimenta.

