Lavouras brasileiras sofrem prejuízo com ação do capim-amargoso
Os últimos levantamentos comprovam. Só nas plantações de soja, a invasão do capim-amargoso provoca perdas que podem chegar a mais de 40% da produção. O capim-amargoso, planta daninha resistente ao glifosato e extremamente agressiva, vem assustando o produtor brasileiro. Gramínea nativa de regiões tropicais e subtropicais da América, está presente principalmente no Estado do Paraná, onde estima-se que afeta 80% das plantações de soja nas regiões do Norte, Noroeste, Oeste e Sudoeste.
A exceção é a região Sul do Estado, na qual estima-se que 20% da área esteja afetada pelo amargoso por ser uma zona relativamente mais fria. A planta também atinge lavouras nas regiões Sudeste (estimativa de 50% a 60% da área plantada) e Centro-Oeste (estimativa média de 30% da área plantada). No Brasil, estima-se que o amargoso afeta hoje 30% do total dos campos de soja e, caso os agricultores não tomem as medidas adequadas e utilizem de forma correta as tecnologias existentes, este cenário pode piorar.
Especialistas da área da ciência das plantas daninhas alertam para a facilidade de dispersão e adaptação da Digitaria insularis – nome científico do capim-amargoso -, principalmente em sistemas produtivos brasileiros que não promovem a movimentação de solo, como acontece com a cultura da soja por plantio direto. O amargoso tem reprodução por sementes, que são carregadas pelo vento e espalham-se à longa distância.
O agronegócio está no centro de economia nacional. Somente no ano passado, a atividade representou 23% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Para 2016, dados já comprovam o crescimento do desempenho do setor. Porém, para manter estes números positivos na economia, é necessário garantir também a alta produtividade das lavouras, o que inclui investimentos em tecnologia, manejo correto e controle de pragas, especialmente por se tratar de uma região tropical.
Para que este problema não se agrave, a recomendação é fazer o manejo integrado através de práticas de controle cultural, mecânico e químico. O controle cultural inclui práticas como a cobertura do solo com palha e o mecânico, capinas de repasse e roçada de plantas perenizadas. Já o controle químico deve ser feito com o uso de herbicidas com mecanismos de ação diferentes do glifosato, já que o amargoso é resistente a este produto.

