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Criado um novo medicamento com nanotecnologia para combater e tratar a mastite bovina

🕔06.ago 2016

ordenha cuada para mastite 1Um produto baseado na nanotecnologia é a mais nova aposta da pesquisa agropecuária para enfrentar a mastite bovina, a inflamação da glândula mamária que afeta rebanhos leiteiros em todo o mundo. Acredita-se que uma em cada quatro vacas apresente a mastite pelo menos uma vez ao longo de sua vida produtiva.

O novo medicamento foi desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite (MG) e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A tecnologia será oferecida em edital voltado a interessados na produção e comercialização desse novo medicamento. O objetivo é buscar parceiros junto à indústria farmacêutica interessados em levar o produto ao mercado. O edital será publicado no dia quatro de agosto no site da Embrapa.

Embora o Brasil não possua números oficiais dos prejuízos causados pelo problema, estima-se que o impacto alcance até 10% do faturamento das propriedades. O pesquisador Guilherme Nunes de Souza avalia que, somente nos Estados Unidos, onde as estatísticas sobre a doença estão mais avançadas, a mastite provoque perdas anuais da ordem de dois bilhões de dólares por ano devido à redução na produção, ao descarte do leite e de animais e aos custos com medicamentos e honorários veterinários.

Uma das respostas da pesquisa agropecuária a essas perdas está na nanotecnologia, ciência que manipula partículas em escala microscópica (até um bilhão de vezes menor do que o metro) e tem revolucionado a farmacologia mundial. O pesquisador Humberto de Mello Brandão trabalha há dez anos no desenvolvimento de nanoestruturas capazes de tornar mais eficiente a ação dos antibióticos contra a mastite.

O pesquisador Brandão explica que nem todos os antibióticos conseguem atuar de forma ampla para combater os agentes que provocam a mastite. Segundo o especialista, com o tratamento convencional, bactérias como o Staphylococcus aureus, grande responsável pela doença, costumam ser eliminadas fora das células fagocitárias, ou aquelas de defesa do organismo, mas continuam vivas no espaço intracelular. Quando a célula fagocitária morre, a bactéria fica livre e volta a se proliferar no interior do úbere da vaca, dificultando a cura dos animais tratados.

Isso explica por que essa inflamação é tão difícil de ser combatida. De acordo com Nunes, a possibilidade de se eliminar o Staphylococcus aureus durante o período de lactação, via tratamento intramamário, gira em torno de 30%. Com o tratamento da vaca seca, início do período entre as lactações, é possível obter êxito de até 80%. “Dificilmente a eliminação se dá totalmente”, afirma o pesquisador.

Numericamente, os resultados clínicos obtidos com a nova formulação, resultaram num incremento de até 15% no combate ao Staphylococcus aureus em comparação ao medicamento convencional. Brandão ressalta que esses resultados foram obtidos com a metade da dose do antibiótico. “Em nossas pesquisas, o número de animais portadores de mastite infecciosa diminuiu”, comemora o pesquisador, que completa: “o medicamento também demonstrou potencial para prevenir novas infecções”.

 

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE