Ano Internacional da Agricultura Familiar ensina as tecnologias de convivência com o Semiárido
Será uma semana de reuniões para divulgar as tecnologias de convivência com o semiárido nordestino. Começou ontem e vai até o dia 14, próxima sexta feira. Mas o destaque é que a semana será itinerante, ou seja, toda a caravana de técnicos e especialistas passará por várias cidades da região. O primeiro encontro foi em Pilão Arcado, na Bahia, e segue depois nos municípios localizados às margens do lago formado pela Barragem de Sobradinho, no rio São Francisco. Os eventos acontecem, na sequência, em Remanso, hoje, Casa Nova (12) e Sobradinho (13), concluindo no dia 14, em Sento Sé, na Bahia.
A promoção é da Embrapa Semiárido e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF). Em cada cidade, as duas instituições “desembarcam” uma equipe composta por 25 pesquisadores, professores e técnicos, especialistas em quatro temas de importância econômica e agrícola nessa região: produção animal e cultivos alimentares, agricultura em área irrigada e código florestal, fruteiras nativas e beneficiamento, e apicultura e meliponicultura. Os temas serão desdobrados em 16 palestras que acontecerão diariamente e de forma simultânea.
Com a Semana Itinerante, as duas instituições buscam integrar mais agricultores às inovações em áreas como caprinovinocultura, fruticultura de sequeiro, agricultura irrigada e recuperação de mata ciliar. Aos que se inscreverem para as palestras, os organizadores irão distribuir sementes e publicações informativas sobre tecnologias para a convivência com o semiárido.
Sementes do milho Sertanejo, dos feijões Pujante e Maratoã, dos sorgos Ponta Negra e IPA 1011, e de melancia forrageira estão embalados em sacos de 100 gramas para serem entregues no ato da inscrição. Neste momento, os organizadores ainda fornecerão cerca de 15 mil estacas de gliricídia.
Esta iniciativa se soma a outras já em andamento para expandir o acesso a esses materiais adaptados ao ambiente quente e seco e melhorar a estrutura de produção das propriedades. De palma, por exemplo, já foram entregues mais de 104 mil mudas da variedade Orelha de Elefante que é resistente à praga Cochonilha do Carmim.
Neste ano, assim que começar o período das chuvas, cerca de 80 mil mudas de espécies forrageiras permanentes (leucena e gliricídia) e 21 toneladas de sementes de milho, feijão e sorgo deverão ser doadas aos agricultores e às suas associações.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do Projeto, Rebert Coelho Correia, a idéia é provocar os agricultores e avaliarem o potencial produtivo desses materiais e estimular a sua multiplicação para ampliar a área de cultivo nas suas propriedades. “Mesmo com a seca intensa dos últimos três anos, registramos muito resultados importantes em atividades agrícolas das áreas de sequeiro como a adoção de práticas de conservação de forragens, ou de manter um esquema de ofertar água e alimentos para as abelhas no período sem chuvas”.

