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Algodão colorido é sustentável no semiárido paraibano

🕔06.jan 2016

algodão colorido 2No Agreste paraibano, o cultivo se tornou a principal fonte de renda para cerca de 30 famílias do Assentamento Margarida Maria Alves, que é o maior produtor local, no município de Juarez Távora, a cerca de 100 km de João Pessoa. A quantidade de hectares cultivada ainda é pequena para que seja incluída nas estatísticas oficiais de produção do algodão no país, mas destaca-se pelo uso sustentável da água e dispensa o uso de inseticidas e adubos químicos.

Mesmo com a produção limitada e considerada uma novidade na indústria têxtil, os agricultores comemoram o valor de mercado que está acima do tradicional algodão branco. Para a gestora do PAP, Lu Maia, o desafio será ampliar a produção para atender a demanda dos novos mercados. “Grandes marcas de confecções já demonstram interesse em desenvolver linhas sustentáveis. Elas precisam ter mais informações sobre o produto para ter um consumo consciente pensando nas futuras gerações. A questão da sustentabilidade também precisa entrar na agenda da cadeia produtiva têxtil. É preciso ter essa consciência desde a produção da matéria-prima, passando por todos os processos de produção até chegar ao consumidor final. Ainda há muito a ser feito”, ressaltou.

Como o produto já nasce colorido, a fibra dispensa o uso de produtos químicos para tingir o tecido economizando água no processo de acabamento da malha. O algodão é beneficiado em uma usina no próprio assentamento com descaroçadeira. A máquina separa a semente da fibra que segue para as indústrias de fiação e, logo em seguida, para teares mecânicos rústicos presentes ainda em muitos municípios.

“Nesta safra vamos tentar transformar o caroço em torta para o gado e retirar o óleo bastante rico para a indústria dos cosméticos, pois já temos empresas interessadas nesse produto. A garantia de compra da produção do algodão colorido deu segurança ao produtor para ele realizar o plantio e alimentar a cadeia produtiva do Estado que envolve tecelagens, confecções e indústrias de moda e decoração,” relatou a empresária e designer de moda Francisca Vieira.

Após mais de 20 anos de melhoramento genético, a Emprapa Algodão obteve cinco variedades com tonalidades que vão do verde-claro aos marrons claro, escuro e avermelhado. Em breve será lançada uma nova variedade marrom, com melhor qualidade de fibra para a indústria têxtil. Outra linha de pesquisa também busca obter o algodão de cor azul através da biotecnologia para transferir o gene que fornece a cor azul para a fibra do algodão, o que reduziria significativamente o uso de tinta na indústria.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE