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Termina hoje, em Paris, a Conferência mundial sobre o Clima

🕔11.dez 2015

Lights on the Eiffel Tower read, "Paris Climat 2015" to mark the selection of the French capital to host the United Nations Climate Change Conference in 2015A Conferência do Clima (COP21), em Paris, que é considerada o mais importante evento internacional sobre o clima dos últimos anos, pois definirá um novo acordo global a ser firmado pelos países participantes, chega ao fim hoje.  E na conclusão dos trabalhos, um importante alerta e uma convocação que dependerá de melhoria para o futuro. É preciso que todas as nações se unam para evitar o aumento da temperatura na Terra e suas consequências.

Durante os debates uma constatação ficou estabelecida, a de que as mudanças climáticas e seus efeitos já chegaram. Para confirmar, basta analisar algumas mudanças que já podem ser constatadas. A primeira delas é o Aumento da temperatura. De acordo com a ONU, 2015 caminha para ser o ano mais quente da história, por conta do aquecimento global, que já se sabe, é causado pelo homem. No Brasil, as altas temperaturas foram sentidas durante todo o ano. A cidade do Rio de Janeiro registrou neste ano 43,2º C, com sensação térmica de 47º C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. A temperatura é a mais alta desde 1915, quando teve início a medição. Outras capitais também tiveram recordes como Brasília (DF) que registrou a segunda maior temperatura da história, com 35,1º, Manaus (AM), que atingiu 38,6º, maior registro desde 1925 e Belém (PA), que atingiu 38º, recorde de calor desde que se iniciaram as medições em 1897.

Já é possível constatar a Falta de Água, como segundo fenômeno preocupante. A crise da água no Sudeste não é mais novidade. Desde o ano passado a queda na quantidade de chuvas já é realidade. Porém, a ação do homem na degradação da vegetação nativa no entorno dos rios e reservatórios, além da falta de investimento, contribuiu para potencializar a crise hídrica. Da mesma forma, essa redução das áreas naturais contribui para as alterações do clima, pois as vegetações nativas possuem papel fundamental na regulação do microclima, além de, quando são desmatadas, emitirem gases de efeito estufa.

A terceira constatação são as Enchentes. Se alguns estados sofrem com a escassez de água, o Sul do país foi atingido por chuvas devastadoras que causaram enchentes nos três estados. No Rio Grande do Sul, o rio Guaíba, que corta a capital gaúcha atingiu números alarmantes, chegando a 2,80 metros, alagando diversos pontos da cidade. Em Santa Catarina, as perdas por conta das enchentes ultrapassaram os R$500 milhões, de acordo com a Defesa Civil. O Paraná registrou algo raro em 2015: vários tornados foram visualizados na cidade de Marechal Cândido Rondon, neste mês de novembro, quando os ventos chegaram a 115km/h.

O quarto tema e tão grave quanto os outros, é a Desertificação, algo que o ecólogo Vasconcelos Sobrinho, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, já alertava desde os anos 70. A falta de água que causa tantos transtornos para as pessoas também tem consequências enormes para a natureza. Com a alteração do clima e a redução na quantidade de chuva, o Brasil ampliou as regiões atingidas pela seca. No final de outubro deste ano, dados de satélite da Agência Espacial Norte Americana (NASA) mostraram que o Sudeste perdeu 56 trilhões de litros de água, na pior seca das últimas décadas na região. O Nordeste também perdeu 49 trilhões de litros. A falta de água no solo causa um processo chamado desertificação, no qual o ambiente vai se modificando até transformar-se em uma paisagem árida ou de um deserto propriamente dito.

E finalmente, o caos com a Extinção de espécies. Com essas mudanças na temperatura e ciclos de chuvas alterados, a biodiversidade mundial e brasileira sofre cada vez mais. Segundo estudo publicado na revista Science, uma em cada seis espécies pode ser extinta por conta das mudanças climáticas, sendo que as regiões que devem sofrer mais são América do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Aqui no Brasil, especialistas calculam que metade das espécies de plantas da Amazônia pode desaparecer até 2050. Segundo eles, essa redução no número de árvores, emite gases de efeito estufa, o que, por sua vez, alimenta as alterações do clima. É um ciclo vicioso.

Por todas essas análises, é fundamental que autoridades e a própria comunidade mundial, tenham interesse numa melhoria no controle e na fiscalização contra a devastação da natureza, preservando nossas matas, florestas e rios, bem como nossa fauna. Uma tarefa que exige a participação de todos.

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE