Um novo conceito de gestão para a suinocultura tem como objetivo reduzir o uso de antibióticos sem perder produtividade. Agora, respeitando as restrições crescentes ao uso de antimicrobianos, produtores passam a investir em prevenção, nutrição de precisão, biosseguridade e diagnóstico para manter o desempenho dos animais sem abrir mão do tratamento quando ele é necessário.
A suinocultura, que hoje pode ser vista como um mercado pressionado por custos, exigências dos consumidores e preocupação global com a resistência antimicrobiana, o produtor tem trabalhado dia após dia para manter a eficiência com menor dependência de medicamentos, sem comprometer a saúde, o bem-estar e o desempenho dos animais.
A mudança tem, inclusive, exigido a adoção de um novo modelo de gestão na produção. A lógica não é simplesmente retirar os antibióticos da produção, mas reduzir a necessidade de utilizá-los por meio de um sistema mais preciso de prevenção, monitoramento e resposta aos desafios sanitários.
“O principal desafio é manter a saúde intestinal, o desempenho zootécnico e a rentabilidade da produção com menor dependência de antibióticos”, afirma Gabriel Villela Dessimoni, nutricionista animal da Quimtia Brasil. Segundo ele, o período mais sensível costuma ser o desmame, quando os leitões deixam de consumir leite, passam para uma dieta sólida, enfrentam mudanças sociais e precisam se adaptar a um novo ambiente.
Essa combinação de fatores pode desestabilizar a microbiota intestinal, reduzir a digestibilidade dos nutrientes e comprometer a integridade da mucosa. O resultado mais conhecido é a diarreia pós-desmame, um problema capaz de afetar o ganho de peso, a conversão alimentar, a uniformidade dos lotes e, em casos mais graves, a mortalidade.
Para o especialista, a redução do uso de antibióticos exige que a produção seja observada como um sistema integrado. Ou seja, nutrição, manejo, ambiente, biosseguridade e acompanhamento sanitário precisam funcionar de forma coordenada. “Falhas em qualquer uma dessas áreas podem aumentar a pressão de infecção e elevar a necessidade de tratamentos”, explica Gabriel.
Estar atento a esses recursos, no entanto, não deve ser encarado como uma fórmula universal. Segundo Dessimoni, o resultado depende do diagnóstico do problema, da categoria animal, da qualidade da dieta e das condições sanitárias e ambientais da produção.
A busca por uma produção com menor dependência de antibióticos não significa eliminar o tratamento de animais doentes. Em surtos, casos de diarreia grave, aumento expressivo da mortalidade ou suspeita de infecção bacteriana sistêmica, a intervenção veterinária continua sendo indispensável.
“O uso responsável envolve duas frentes complementares: reduzir tratamentos desnecessários e garantir que os tratamentos necessários sejam realizados corretamente”, resume o nutricionista animal. Ele lembra que essa distinção é central para o setor. “O objetivo não é produzir ‘sem antibióticos’ a qualquer custo, mas utilizar esses medicamentos de maneira racional, quando houver indicação, preservando sua eficácia e evitando impactos desnecessários sobre a resistência antimicrobiana”, finaliza Gabriel
